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29 de março de 2019

6 anos de Henrique

Nota mental: com 6 anos, o Henrique faz contas simples de somar e subtrair, conta até o mandarmos calar. Escreve o nome completo, em letra manuscrita. Reconhece todas as letras. Gosta de super-heróis. Tem a mania que é palhaço. É super-generoso, mas, de vez em quando, faz a sua birrinha. No segundo seguinte, "mamã, eu já não preciso que me ajudes a (inserir atividade), porque já sou crescido. Continuo a contar-lhe uma história todas as noites. 

14 de fevereiro foi o dia em que escrevi a última vez que escrevi neste espaço. Depois disso, já passou o meu aniversário, em que o Henrique insistiu que tínhamos de fazer uma festa. 



Sou sincera: depois da morte da minha mãe, fazer anos tornou-se quase agridoce, porque a personagem principal dessa novela já não está cá. Mas foi um bom dia.

O Henrique fez anos três semanas depois. A festinha já estava a ser combinada com a mãe de um amiguinho que faz anos no mesmo dia, e foi o fim-de-semana mais cansativo que tive nos últimos meses. Mas foi bom e ele estava muito feliz.

No fim de contas, nada mais importa: a felicidade dele. O sorriso estampado na cara. A testa transpirada de tanto correr e brincar.

Agora, preparamo-nos para outro salto: a entrada na primária. As matrículas começam a daqui a pouco mais de 15 dias. Até lá, vamos fazer o 1.º Cartão do Cidadão. Olho para ele e os meus olhos de mãe continuam a ver o bebé. Mas ele já fez 6 anos. Continuo a querer protegê-lo, mas sei que ele tem de desenvolver as suas próprias ferramentas para se desenrascar.

Esqueceram-se de me avisar que isto de ser mãe também é querer ter uma vontade constante de vomitar, agora que ele está a aprender a andar de bicicleta sem as rodinhas de apoio. Esqueceram-se de me dizer que há dores de barriga cada vez que temos de comprar roupa cada vez maior. Esqueceram-se de avisar que ouvi-lo a falar, cada vez com mais clareza, provoca em nós, mães, nós na garganta e que ficamos sem saber o que dizer com as respostas que ouvimos.

Quero voltar a este espaço com mais frequência. Prometi a mim mesma e àqueles que ainda se dão ao trabalho de ler o que por aqui vou escrevendo. A nossa agenda para os próximos meses será esta:
em abril, vamos matriculá-lo na primária. Maio vai ser o último mês completo na creche. Em junho, será a festa de finalistas da pré-primária. Em julho, tem a última temporada de praia com os coleguinhas da pré. Em agosto, está de férias e, em setembro, começa uma nova etapa.

Se não conseguir aqui vir, ando muito por aqui: Capa Mole & Companhia. São bem-vindos!

14 de fevereiro de 2019

Chupa-chupa de morango

A noção de amor, para o meu filho, ainda é algo meio nublado: a mãe e o pai amam-no, mas de forma diferente de como se amam. Os avós, os tios e as primas também o amam. Mas de outra forma também diferente.

Desde o ano letivo passado, o Henrique tem uma namorada. A Joana. Quando lhe perguntei o que é que ele e a "namorada" fazem, ele respondeu que brincam. Ou seja, a Joana é a menina que mais brinca com ele; tal como o melhor amigo é aquele menino que brinca, todos os dias, com ele - se há um dia que falha, já me chega a casa tristinho a dizer que o outro já não é amigo dele, porque não quis brincar com ele. Mas, no outro dia, já está tudo bem.

Sobre a Joana. Brincam juntos na sala, partilham os lápis de cor, e, julgo, estão na mesma mesa no refeitório.

Na escola, não há a celebração do Dia dos Namorados; há sim, o Dia dos Amigos. Mas, ele não é tonto, nem surdo e já percebeu que isto do Dia dos Amigos não é assim tão linear, por isso, ontem, a meia voz, pediu se eu comprava uma prenda para ele dar à Joana.

"Pode ser um chupa-chupa de morango, filho?", perguntei, já a pensar naqueles que tenho guardados para uma qualquer eventualidade.

Que sim, que podia ser. E o meio sorriso tímido de antes abriu-se, de alívio.

Hoje, com o chupa-chupa de morango no bolso do bibe, foi feliz para a escola. Que seja sempre tudo assim: simples como um chupa-chupa de morango.

4 de fevereiro de 2019

Henrique e a escrita

Desde que me lembro que conto histórias ao Henrique, ao deitar. Quando ele se porta mal, um dos castigos é ficar sem história e aquilo mexe mesmo com ele.
Ainda não teria 3 anos, quando me disse, pela primeira vez, que gostava de saber ler para ler os seus livros quando lhe apetecesse.

Já não me lembro quando me pediu para lhe ensinar a escrever o nome. Quando, na escola, a educadora lhes pediu para escreverem os seus nomes (a copiar), já ele sabia de olhos fechados.

Ontem, insistiu para lhe ensinar o alfabeto, e esteve a treinar durante uma hora, o nome em manuscrito.

Onde é que isto vai parar?!



18 de setembro de 2018

O raio do feitiozinho torcido

Desde há umas semanas que o meu rico filho não passa um dia sem ouvir dois berros. Atenção: amo o meu filho incondicionalmente. Não tenho nada, em toda a vida, tão valioso como ele... mas, anda com um feitio que dói só de pensar.

Quando começou a ser maiorzinho, falavam dos "terríveis dois", mas, ao pé deste ogrezinho em forma de gente, os dois anos foram canja.

Está naquela fase em que já faz uma data de coisas sozinho: despir e vestir, lavar os dentes, calçar-se, comer... e depois pensa que já consegue fazer TUDO sozinho e fica irritado quando o ajudo, mais não seja, para nos despacharmos. A independência é uma coisa muito gira, mas fica altamente frustrado quando as coisas não correm como ele quer.

Irrita-se facilmente quando não ganha um jogo, por exemplo. Andamos a tentar fazê-lo entender que perder é uma parte da vida e que, nem sempre, ele irá conseguir ganhar tudo. Andamos a tentar fazê-lo entender o conceito de persistência e de fair-play. Quando jogamos alguma coisa, não o deixo vencer sempre, para que perceba que também gosto de ganhar. Quando perde é "fizeste batota" e "já não quero mais". Este capítulo da vida dele vai ser trabalhoso, mas há umas semanas, deixou uma menina mais pequena ganhar uma corrida - lá bom coração tem o moço!

É generoso e não se importa (muito) de partilhar, mas se embica que não, irrita-se. E fica brutalmente chateado se alguém não lhe empresta algo, mesmo depois dele o ter feito.

E já nem falo das respostas sarcásticas e meio atravessadas (mas com o seu quê de "touché"), porque isso já vem desde que aprendeu a falar...

Às vezes, comentamos entre nós que este feitiozinho só lhe devia dar daqui a uns bons 10 anos, mas o fulaninho adiantou-se à adolescência.

Parte-me a cabeça, põe-me a paciência em cheque-mate e rapidamente passo de "és a melhor mãe" para "já não vou brincar mais contigo, és péssima"... mas depois faz-me desenhos carregados de corações, porque sabe que gosto, dá-me abraços apertados, porque são os meus favoritos, faz-me ataques de beijos...

(e a louca sou eu?!)


6 de maio de 2018

Dia da Mãe

Olá, mãe...

quão estranho é viver este dia, e passá-lo, ao mesmo tempo, com a tua ausência? Durante toda esta semana, vivi ansiosa com a chegada deste dia, porque, viver o Dia da Mãe sem ti, não é vivê-lo plenamente, não é gostá-lo plenamente...

Todos os dias, penso em ti, sabes disso? Todos os dias, penso no que poderia ter feito diferente, no que podia ter dito de outra forma... tivemos as nossas discussões, claro - quem nunca discutiu com a mãe que ponha o dedo no ar - mas, nunca, nunca, nunca duvidámos do Amor.

Todos os dias, imagino-me a ter mais 10 minutos contigo. Apenas 10 minutos mais. Para te dizer apenas mais uma vez o quanto gosto de ti. Queria também pedir-te desculpa, sabes? Com as rotinas e os dias cheios, às vezes, tomamos as pessoas por garantidas, e julgo que fiz isso contigo. Tomei-te como garantida - afinal de contas, só irias partir daqui a muito tempo - e não investi, contigo, todo o tempo que... agora... dou como perdido.

Se eu tivesse mais 10 minutos, iria ficar dormente de te abraçar, juro! Queria ficar agarradinha a ti, e deixar que o silêncio gritasse tudo o que tenho entalado na garganta há mais de oito meses. Só queria ter mais 10 minutos para sentir o calor do teu corpo junto a mim, as tuas mão a passarem-me pelo cabelo e sentar-me no teu colo. Sinto tanto a falta do teu colo, mãe.

Todos os dias, penso em ti, mãe. E era só isto que te queria dizer, por agora... acho.



15 de março de 2018

5 anos!

Henrique,

não sei o que vai acontecer no Mundo nos próximos anos. Confesso-te, meu amor: ao contrário do que possas pensar, a mamã não sabe tudo.

Sei que te amo. Todos os dias. Mas, isso, também tu sabes, porque to digo. Todos os dias. Mas, a mamã não sabe se algum dia vais ler este blogue, e estes textos que escrevo para ti. Um dia, os computadores, os blogues... vão ser obsoletos! Serão, para ti, conceitos tão antigos que irão dar vontade de rir. Vão ser coisas do tempo dos teus pais, tal como, para mim, foram os sofás floridos ou as alcatifas nos quartos.

Sei que, ainda hoje, no dia em que fazes 5 anos... acordo e fico sempre feliz por estares aqui.

Sei que, ainda hoje, se ficas com febre, fico aterrorizada com a simples ideia de teres qualquer coisa mais grave do que um simples picozito de temperatura.

Sei que, ainda hoje, se cais e fazes beicinho - e mesmo quando dizes que está tudo bem e que não te magoaste - à noite, dói-me o coração ao ver mais uma nódoa negra nas tuas pernitas.

Sei que, quando dizes "eu consigo!"/"eu faço!"/"já sou crescido!", tens razão - que és capaz e que já és um menino crescido - quero ser eu a abotoar-te os botões ou a vestir-te o pijama.

Sei que, ainda hoje, gosto de cheirar o teu cabelo e aspirar o teu aroma depois do banho. Fecho os olhos e tento conservar essa memória olfactiva, para sempre! Tal como o fiz, naquele primeiro dia.

Sei que, ainda hoje, quero prolongar a tua bebezice. Tens 5 anos, eu sei. Eu estava lá. Tenho uma cicatriz, abaixo do umbigo, que me lembra - todos os dias! - todas as dores que senti nas semanas e meses após o teu nascimento. Mas, hoje, estás aqui. Ao meu lado. E, caramba, como vale a pena!

Parabéns, filhote! Adoro-te, daqui até à Terra do Pai Natal, que é mais longe do que a Lua - porque não a conseguimos ver da janela da cozinha!



4 de março de 2018

Personalidade de peluche

Há umas semanas, um dos peluches do Henrique descoseu-se. O pobre bicho tem estado a um canto, esquecido, literalmente. É o Cenouras, um coelho amarelo, simpático e bem-educado.

O Henrique tem também o Pedro, um passarinho, um bocado barulhento. Mas, o seu preferido é o Bobi João, um filhote de panda com a mesma idade - 5 anos, e que é o seu grande companheiro de brincadeiras.

Todos os peluches do Henrique têm um nome e uma personalidade, e é engraçado ver como ele interage com os peluches, de acordo, com as personalidades que lhes imaginou. E o mais estranho ainda é que eu "conheço" cada um deles.

Quando o deito, despeço-me dele e do peluche escolhido para essa noite, e tenho de dar um discurso sempre condizente. Se é o "Pedro" tenho de o avisar que à noite não se brinca e que está na hora de dormir. Se é o Cenouras, basta-me dizer boa noite e desejar-lhes bons sonhos. Se é o Bobi João, tenho de lhe dar um beijinho de boa noite e fazer umas coceguinhas na barriga, porque ele gosta.

Admiro-me com esta capacidade do Henrique em criar. Criar, no geral. A imaginação que ele tem, força-me a prestar atenção aos detalhes, porque se me engano, está o caldo entornado!

Posto isto: já cosi o rasgão da cabeça do Cenouras. E adivinhem quem se portou lindamente, nessa noite?

21 de fevereiro de 2018

Post pré-aniversário

Daqui a dois dias, faço 35 anos. Este ano, não me sinto com vontade de fazer anos. Tudo o que passei (passámos) nos últimos seis meses foi mais que suficiente para pedir um pouquinho de misericórdia ao Deus do Tempo.

Não é segredo para ninguém que tenho andado muito longe do meu humor habitual, da minha forma habitual... recuperar de uma perda leva tempo e paciência. Mas quando dei por mim, estávamos no início do ano, voltei a pestanejar e já estamos quase a terminar o mês de fevereiro.

Hoje é dia 21 de fevereiro. Nestes 52 dias desde o início de 2018, já morreram pessoas que me eram relativamente próximas... já nasceu uma... está outra no "forno"... a vida é assim: feita de fins e de começos.

Ando cansada. Mas se páro, penso. Se penso, entristeço. Se entristeço, aterro de "cabeça" no sofá... e isso é tudo aquilo que não quero. E este ano, pensar no meu aniversário, entristece-me. Não podemos carregar no botão do "fast forward" e avançar até meio de março?! Depois, voltava a carregar no mesmo botão e despachava o resto do ano até ao Natal, só por causa das tosses...

Tenho saudades da minha mãe. Eu era uma menina da mamã, confesso - e, para a semana, passam seis meses desde que a perdi. Fico zonza só de pensar que já passou meio ano. É um marco poderoso, caramba! Seis meses!!! Não houve um dia em que não chorasse nestes seis meses. Não houve um dia em que não pensasse nela. Mas, pelo menos, já perdi o reflexo de lhe telefonar...

E tudo isto começou com um post sobre o meu aniversário, lembram-se?!

(estou há 20 minutos à frente do computador... já escrevi e apaguei coisas, já reescrevi frases... até o exercício de escrever "à primeira" foi afetado: demoro o dobro do tempo a completar coisas simples. Preciso de me concentrar realmente, para conseguir soar coerente - estou a conseguir?)

The Dead Mother and Her Child (1901),Edvard Munch



8 de dezembro de 2017

Hoje, farias anos!

Mãe, quero que saibas que te recordo. Farias, hoje, 64 anos.

O Henrique far-te-ia um desenho. Iríamos almoçar algures, como quase sempre neste dia... ou encomendarias, como nos últimos "ajuntamentos" de família. Mas, hoje, não estás cá. Continua a ser difícil conceber uma ideia de estar sem ti.

Nestes meses - 3 meses e uma semana - tenho pensado nas nossas vidas. Não me consigo lembrar se te disse, vezes suficientes, o quanto te amava. Foste minha colega de trabalho, foste minha companheira na associação, foste minha comparsa nas idas à semana académica - íamos sempre ver os Xutos & Pontapés - foste a mãe que me ouvia, foste o exemplo de mulher e de mãe que quero ser para o Henrique... aliás, se eu for 1/10 de mãe que foste, já fico feliz!

Hoje eram os teus anos. Os primeiros em que, simplesmente, não estás! Virá o Natal - sem ti! O aniversário do meu irmão - sem ti! O meu aniversário - sem ti! O aniversário do teu 1.º neto - sem ti! O Dia da Mãe - sem ti! E vamos criar aqui um ciclo de "dia sem ti!" e não gosto. Não que os meus gostos sejam para aqui chamados, mas não gosto de estar sem ti. Se isto fosse uma merda de um electrodoméstico, ia devolver sem pestanejar.

Este é aquele dia que eu temia. Desde o 1.º dia que temo a chegada deste 8 de dezembro. Nunca mais vai ser um dia de festa, de celebração da tua vida... vai passar sempre a ser mais um dia em que me fazes falta. Como irá ser o 25 de dezembro, o 26 de janeiro, o 23 de fevereiro, o 15 de março e o 1.º Domingo de cada mês de maio...

À tua, mãe... sempre à tua!



30 de novembro de 2017

Vai em paz, Zé Pedro

Das minhas primeiras lembranças de Xutos & Pontapés é de ouvir A Casinha. Lembro-me de andar a saltitar no pátio da casa dos meus avós a cantá-la, aos berros! Eram os primeiros acordes de rock que ouvia e que me enchiam de adrenalina.

Os Xutos acompanham-me desde criança, portanto.

Outra das minhas lembranças é de ir, com a minha mãe, durante as semanas académicas, assistir ao concerto da banda. A minha mãe que, com 50 anos, pulava e cantava como se tivesse os mesmos 20 do pessoal que a rodeava.

Para mim, a perda de hoje... a perda do Zé Pedro, é dupla.

Morreu o músico e morreu o fundador da banda que nos ligava, a mim e à minha mãe.

Hoje, não vou pôr A Casinha. Vou postar o Para Sempre. Porque as memórias ficam comigo. E, quando um dia fôr velhinha, quero ligar-me à Internet e ler este texto e ouvir esta música e lembrar-me de dias felizes, que o eram sem que eu soubesse.


3 de novembro de 2017

In The End

It starts with one thing
I don't know why
It doesn't even matter how hard you try
Keep that in mind
I designed this rhyme
To explain in due time
All I know
Time is a valuable thing
Watch it fly by as the pendulum swings
Watch it count down to the end of the day
The clock ticks life away

It's so unreal
Didn't look out below
Watch the time go right out the window
Trying to hold on, but you didn't even know
Wasted it all just to watch you go
I kept everything inside
And even though I tried, it all fell apart
What it meant to me
Will eventually be a memory of a time when

I tried so hard
And got so far
But in the end
It doesn't even matter
I had to fall
To lose it all
But in the end
It doesn't even matter

One thing, I don't know why
It doesn't even matter how hard you try
Keep that in mind
I designed this rhyme
To remind myself of a time when
I tried so hard
In spite of the way you were mocking me
Acting like I was part of your property
Remembering all the times you fought with me
I'm surprised it got so
Things aren't the way they were before
You wouldn't even recognize me anymore
Not that you knew me back then
But it all comes back to me in the end
You kept everything inside
And even though I tried, it all fell apart
What it meant to me will eventually be a memory of a time when

I tried so hard
And got so far
But in the end
It doesn't even matter
I had to fall
To lose it all
But in the end
It doesn't even matter

I've put my trust in you
Pushed as far as I can go
For all this
There's only one thing you should know
I've put my trust in you
Pushed as far as I can go
For all this
There's only one thing you should know

I tried so hard
And got so far
But in the end
It doesn't even matter
I had to fall
To lose it all
But in the end
It doesn't even matter


30 de outubro de 2017

Como explicar a morte a uma criança?

A morte da minha mãe foi um momento crucial para mim - tal como será, certamente, a morte de um ente amado, para qualquer pessoa que me leia.
As enfermeiras - ao longo dos dias - iam-nos dizendo para nos prepararmos para o pior.

"Como é que alguém se prepara para a morte? E mais: para a morte da própria mãe?", perguntava eu. É impossível. Não há preparação possível. Há um processo de mentalização e pouco mais.

E depois, avistava outra questão fundamental: como vou contar ao Henrique que a avó morreu? A avó com quem ele dormia sempre que a visitávamos?
Como explicar a morte a uma criança de 4 anos que ainda nem sequer consegue perceber esse conceito? Se, nem eu - no alto dos meus 34 anos - consigo processar, como fazer uma criança entender? Li algumas coisas. Simplificar, responder às perguntas da forma mais clara possível... e atenção: as crianças são imprevisíveis e poderão aceitar melhor do que se espera.

Não sou psicóloga. Não tenho formação com crianças. A única coisa que tinha é o meu tacto de mãe.

A minha mãe morreu a uma 5.ª feira. O funeral foi na 6.ª e eu estava um caco. O Henrique tinha passado 5 dias em casa dos avós paternos - o maior número de dias separado de mim, desde sempre. Ele começava a escolinha na 2.ª feira. Falei com a educadora dele. Havíamos combinado que só diríamos mais tarde, para ele passar - sem sobressaltos - a primeira semana de escola. No sábado seguinte, durante a tarde, foi o momento.

Usei a minha educação cristã, para embelezar um pouco a coisa.

"A avó São estava, como tu sabes, muito doente. Então, foi ficando cada vez mais fraquinha e mais fraquinha e morreu. Agora, ela é quase como uma estrela... é o teu anjo da guarda. Lembras-te quando te ensinei a oração do anjunho? Anjinho da Guarda / Minha companhia / Guarda a minha alminha / De noite e de dia... - quer dizer, que, agora, a avó São vai estar sempre sempre a tomar conta de ti. Vai ser o nosso anjo mais especial!"

Expliquei que me iria ver triste e, se calhar, a chorar um pouco, mas que não se preocupasse, porque eram só saudades.
Inicialmente, riu-se. Ouve tantas vezes o pai a dizer que "morreu" na Playstation que a morte, para ele, deveria resolver-se com um revive de um parceiro de equipa.

"Percebes, filho, o que a mamã está a dizer? Quando formos a casa da avó, ela já não vai estar lá. Nunca mais. Só o avô e os tios".

À noite, a coisa "bateu-lhe". Começou a fazer perguntas:
- se a avó estava fraquinha, porque não comeu mais comida para ficar forte, mamã? Dizes sempre que a comida nos deixa mais fortes e com energia...
- porque é que a avó morreu?
- agora quem vai brincar comigo ao jogo da pesca?
- se tu morreres, quem toma conta de mim?
- e se eu morrer...?

Perguntas em catadupa que me fizeram engolir em seco, tentar abafar o meu próprio desgosto e explicar o melhor que podia, de maneira satisfatória.

Acho que entendeu. Hoje, já dois meses praticamente volvidos, de quando em quando, dá-me um beijo e um abraço, assim do nada: "para não ficares mais triste, mamã, porque a avó morreu!".


27 de outubro de 2017

Aprender sem ti, Mãe!

(Tenho o Henrique a dormir tranquilamente ao meu lado. 
É a tranquilidade dele que me vai acalmando, em certa medida)

Estas duas últimas semanas têm sido portentosas. Demasiadas memórias, o aproximar dos dois meses sem a minha mãe... a pedra tumular que foi colocada hoje. Escolher a pedra já tinha sido uma tarefa hercúlea, mas vê-la colocada... foi uma verdadeira chapada de realidade.

Estão quase a passar dois meses e ainda tenho - várias vezes - o reflexo de pegar no telefone e ligar-lhe. Fico com um aperto que vai da garganta ao peito, quando me apercebo do que acabei de tentar fazer... a voz dela fica a ecoar no meu cérebro durante um bocado e perco, por momento, as energias. Sento-me, depois molho a cara... e sigo!

Incrível como estes quase dois meses têm sido quase uma aprendizagem.

Uma mãe veste-nos, alimenta-nos, ensina-nos os primeiros passos e as primeiras palavras... e agora? Quando a nossa referência desaparece? Eu não sou só a Cristina. Eu sou a mãe do Henrique. Eu sou a filha da São e do Vitor, mas agora sem São. Qual é a minha identidade sem a pessoa que me deu a identidade? Sem aquela que me ensinou a andar, quais são os meus próximos passos? É isto que tenho de aprender; aprender a guiar-me sem a mão dela na minha mão..

Façam-me um favor: desliguem o computador, agora, e vão abraçar as vossas mães. Dava tudo para o puder voltar a fazer.


19 de outubro de 2017

Os pais (também) são seres que nos são emprestados

José Saramago escreveu um dia:
"Filho é um ser que nos foi emprestado para um curso intensivo de como amar alguém além de nós mesmos, de como mudar nossos piores defeitos para darmos os melhores exemplos e de aprendermos a ter coragem. Isso mesmo! Ser pai ou mãe é o maior ato de coragem que alguém pode ter, porque é expor-se a todo o tipo de dor, principalmente o da incerteza de agir corretamente e do medo de perder algo tão amado. Perder? Como? Não é nosso, recordam-se? Foi apenas um empréstimo."

E com os pais passa-se o mesmo. Esperamos deles que nos alimentem, nos vistam e nos eduquem. Que nos amem. Que nos ensinem. Que nos beijem e nos castiguem. Mas, no fim, quando já adultos, percebemos que isto de ser filho não é tão linear assim. Que, afinal, os pais não vão ficar sempre ali para nos amparar.

A minha vida - e a do meu irmão - sofreu um revés. Um enorme revés. O maior deles todos: perdemos a nossa melhor amiga. A nossa confidente. A mulher das nossas vidas.

E tudo me lembra ela. As caixas de plástico que ela enviou com comida e nunca foram devolvidas. As roupas que visto ao Kiko e que foi ela que ofereceu. As roupas para o miúdo que ainda tenho guardadas (porque eram grandes) que foi ela que deu. Abrir o congelador e encontrar lá coisas que ela mandou. Ou abrir uma gaveta e encontrar o postal de Natal com a letra dela.

Todos os dias choro. Choro quando se aproximam as horas em que lhe ligava. Choro quando vejo uma foto dela. Choro quando me lembro dela, do sorriso, da voz e choro, choro, choro...

A dor de perder a mãe não tem comparação. É que não é só perder a mãe. É perder o porto seguro, é perder o pé na piscina e não conseguir vir ao de cima. Ser filho... também é um ato de coragem! E ninguém nos prepara para isto!



17 de outubro de 2017

Odeio 2017

A minha mãe morreu. Às 06h00 do dia 31 de agosto, tornando, assim, 2017, oficialmente, o pior ano de toda a minha vida.
A dor que trago em mim é tão esmagadora que estive, até ao dia de hoje, a pensar se havia de voltar a escrever, ou se deixava definhar os blogues.

Mas como me disseram, escrever ajuda-me a libertar a alma.

Não é fácil lidar com a morte. Não é fácil lidar com a morte de um pai - especialmente, daquele que nos trouxe ao mundo, limpou-nos o rabo, mudou-nos a fralda, nos velava quando adoecíamos, dava beijos nos dói-dóis, nos escutava, nos amparava... a minha mãe era isto e muito mais.

A dor que trago é tão grande que não existem, no mundo, medidas suficientes para a contabilizar. Tenho vindo, lentamente, a perceber que não há como lidar com a dor da perda. Aprendi sim, a adaptá-la aos dias. A encaixá-la nos momentos "mortos" do dia.
A tristeza, a amargura, a raiva... não desaparecem. Creio que, dificilmente, desaparecerão.

Continuo a chorar, enquanto escrevo estas linhas. Sei que as lágrimas não ma devolverão. Sei que ela odiaria ver-me assim, mas é tão mais forte do que eu.
Quando desligo o chip de "filha" e ligo o chip de "mãe", as lágrimas páram. O Henrique merece ter a mãe a 100% para ele. E, isto, aprendi com a melhor!


22 de junho de 2017

O fascínio da cozinha

Desde que me mudei para Sintra, comecei a cozinhar mais. E - juro! - que não é a pior coisa do mundo. Claro que há coisas que me saem piorzito, mas, no fim de contas, toda a gente come, não reclama e até à data não houve problemas.

Depois, comprámos a Yammi. Houve um período de fascínio, em que a usava diariamente. Agora, uso-a mais no inverno para "despachar" as sopas, ou alguma sobremesa.

Mas, ultimamente, quem anda fascinado com o mundo da cozinha é o Kiko. Anda perfeitamente embevecido com Os Segredos da Tia Cátia, no 24 Kitchen.
Juro pela minha saúde. O rapaz fica a olhar para a televisão enquanto a Tia Cátia ciranda, de um lado para o outro, a selar bifes ou a picar coentros.

Tia Cátia, ganhou um fã!

(vou-lhe mostrar também a Filipa Gomes, e daqui a uns anos tenho, em casa, 
um vencedor do Masterchef... quais Pedro Jorge, qual carapuça!)



26 de maio de 2017

Eu, o Henrique e o GPS

Trabalho, trabalho, trabalho, mãe no hospital, visita relâmpago a Leiria, trabalho, trabalho, trabalho, Henrique, Henrique, Henrique, Henrique, Henrique, Henrique, Henrique, Henrique, Henrique, Henrique, Henrique, Henrique, Henrique, Henrique, Henrique, Henrique, Henrique, Henrique, Henrique, Henrique... acho que já perceberam a ideia...

(e com esta camadona de nervos, apareceram-me duas borbulhas no queixo... carai)

O que me vai safando, no meio disto tudo, são as conversas com o Henrique - são assim como tomar um paracetamol quando estamos com uma dorzita! Alivia a dor, até à próxima vaga.

No dia da visita ao hospital, estava eu, à noite, a tentar instalar o GPS no telemóvel, porque no dia seguinte teria uma entrevista e tinha de me orientar. O Henrique queria brincar, obviamente.
Eu - Filhote, espera só um minuto que a mãe está a pôr uma coisa no telefone...
Ele - O que é?
Eu - É uma coisa chamada GPS...
Ele - GPS? O que é?
Eu - A mamã amanhã tem de ir a um sítio um bocadinho mais longe, e este GPS ajuda a mamã a conduzir. Vai dizer assim "vira para a direita", "vai por esta rua"... estás a perceber? É para a mamã não se perder.
Ele - Sim.

E ficou por aí mesmo. No dia seguinte, quando o fui buscar à escola, disse que tinha apanhado o mesmo atalho que o pai costuma usar.
Ele - E usaste o GPS?
Eu - Não, filhote. Este caminho, a mamã conhecia, e não foi preciso usar.
Ele - Mas tu disseste que o GPS era para te ajudar a conduzir. Então porque o meteste no telefone, se não ias usar?

PUMBA: Henrique 358 - Mãe 0


8 de maio de 2017

Dia da Mãe'17

O meu Dia da Mãe foi celebrado hoje, segunda-feira. A festinha da escola marcou o dia, adiado, porque, para o meu filho, só seria Dia da Mãe quando houvesse festa. E assim foi!

Passámos a manhã, com outras crianças e respetivas mães. Fizemos pinturas, comemos bolinho e bebemos um copo de sumo. Foram duas horinhas, numa segunda-feira que a tornou com menos "sabor a segunda-feira". Duas horinhas em que as crianças desfrutaram das mães quando, num dia "normal", não o fariam. 

Somos mães todos os dias, a toda a hora... pedimos encarecidamente a Deus e aos anjinhos que nos concedam, mais não seja, a possibilidade de tomar banho, sem ouvir um metralhado "mamã, mamã, mamã...". Só as mães percebem o efeito de cinco minutos na casa-de-banho. 

Recebi um "dreamcatcher" (caçador de sonhos). Sempre tive, na minha casa de "solteira", espanta-espíritos no quarto, e adorei, portanto, a coincidência.

Este amuleto indígena tem, por trás uma lenda. Segundo a Wikipédia, "antigamente havia duas tribos em guerra. A raiva e o rancor que geraram energias desarmônicas, que faziam com que as crianças tivessem pesadelos. Então a deusa grande mãe búfala desceu à terra e pediu ao xamã da aldeia que fizesse um aro com um galho de salgueiro Os bons sonhos sabiam para onde ir, passando pelo furo central. Aos primeiros raios de sol, as energias ruins se dissipavam".

E é isto. Sou uma mãe, feliz, com o seu próprio caçador de sonhos! 


24 de abril de 2017

Bocas, saídas e outras que tais

Esta é uma pequena compilação de "saídas" do gnomo. Isto para que vejam o que mãe sofre. Juro, pela minha honra, que apenas uma é uma imitação de algo que lhe costumo dizer. O resto... são apenas coisas que lhe saem daquela boca para fora.

1.
TODOS os dias:
Ele - Mamã, estou cheioooooo de fome... posso comer qualquer coisinha?
Eu - Não, filhote, a mamã está mesmo mesmo a terminar o jantar...

3.8 segundos depois de ter começado a jantar:
Ele - Mamã, dóiiiii-me a barriga... não quero comer mais!

5 minutos depois de nos termos levantado da mesa (e depois de ter comido, no mínimo, 80% do conteúdo do prato e fruta):
Ele - Mamã, ainda tenho um pouco de fominha. Posso comer uma bolachinha?


2.
Enquanto lhe dava o pequeno-almoço, numa destas manhãs, para seguir para a escola, com o pai - esta é a tal, onde ele me imitou:
Ele - Mamã, dói-me a barriga!
Eu - Kiko, sempre que não te apetece alguma coisa, dizes que te dói a barriga. Essa já não pega, amiguinho! E agora, quero que comas.
Ele - Pois, e eu também quero ser rico e não sou!


3.
Fui às compras. Quando fui buscar o pequeno ao infantário, ele perguntou se o meu dia tinha corrido bem. Disse-lhe que sim, que tinha ido ao supermercado.
Antevendo a pergunta seguinte que seria "compraste alguma coisa para mim?", disse imediatamente que não tinha comprado doces nenhuns.
"Doces? Porque falaste em doces? Tu sabes que eu não gosto de doces..." foi a resposta.
Esclareci que estava a falar de bolachas... "eu ainda tenho muitas de animais e dinossauros...não quero mais".


4.
Não sei que horas eram da madrugada, e oiço o pequeno, no quarto dele: "mamã... mãe... ó mamã"... levanto-me KO de sono e vou ver o que se passa.
Ele, a esfregar os olhos... também KO de sono e diz-me "não me deste um beijo de boa noite!".
"Tens toda a razão, meu amor...", respondi.
Dei-lhe um beijo, aconcheguei-o e dormiu o resto da noite como um anjo.


14 de março de 2017

Afinal... correu tudo bem!

O Henrique faz amanhã 4 anos.

Sim, vou mandar-me ao lugar-comum: o tempo passa a correr.

A fotografia que, hoje, posto é do dia 14 de março de 2013. Tirada pela hora de almoço, sensivelmente. O homem trabalhava e eu estava sozinha, entretida com a máquina, numa vã tentativa de me abstrair do facto que, no dia seguinte, ia conhecer o meu filho.

A cesariana estava marcada, portanto, tudo corria para aquela hora. Era uma questão de tempo. Sempre o tempo.

Foram 9 bons meses. A sério! Sem complicações irresolúveis. Umas contrações marotas e uma infeçãozinha mandaram-me para casa quase aos 7 meses, mas fora isso, nada a registar.

Esta foto marca o fim de uma caminhada. E o consequente início de outra. Por um lado, estava morta de medo. Mas, havia uma parte de mim que estava mais do que ansiosa por ter o Henrique nos braços. Parecendo que não, 9 meses custam a passar.

O meu medo não era do parto. Era o regresso a casa. Era vir para o nosso lar, e não saber o que fazer. Não ter aquela campainha perto da cama que, sendo acionada, tinha uma enfermeira, à minha cabeceira, com voz tranquila, dando-me o conforto necessário para saber que tudo iria correr bem.
Em casa,por mais campainhas que tocassem, não havia enfermeiras ou médicos que me acudissem. Iria ter de providenciar tudo. Só com o homem... tão verdinho como eu! Belos pais tens, meu rico filho!

Quatro anos passam num piscar de olhos. Passaram muito mais rápido do que os 9 meses anteriores. E o garoto fez-se! É tranquilo. Tudo correu bem!

 

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