29 de setembro de 2016

Latosa em estado puro

O Henrique é um miúdo com a maior lata que, alguma vez, vi na vida. Tem resposta para tudo. Absolutamente.

Há uns dias, falava com o meu irmão ao telefone. "Que'o falá com o tio"... ora, pois com certeza, e passei-lhe o telefone para a mão.
"Olá tio"
"Olá, Henrique. Estás bom?"
"Sim. Já tomaste banho?"
"Ainda não. Vou jantar e depois vou tomar banho"
"Ahhh, parecia que me estava a cheirar mal..."

E devolve-me o telefone! Really?!

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Depois da primeira semana de escola, já ficou em casa dois dias, e tivemos de o ir buscar outros dois dias, porque sua excelência estava com febre. Entretanto, também já percebeu que a escola é coisa para ter de ir todos os dias. Então, todos os dias, TENTA, inventar desculpas para não levarmos.

"Tratam-me mal na escola..."
"A sério?! Mas eu já lá estive muitas vezes e nunca vi ninguém a tratar mal os meninos. Como é que te tratam mal?"
"Dão-me almoço... e lanche!"

NÃOOOOO... as auxiliares dão-lhe comida?! Que ultraje!! Estou chocadíssima com as condições desta instituição. Onde é que já se viu darem almoço (e lanche) às crianças?!

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Vou buscá-lo, todos os dias, depois da hora do lanche, até para ele ter mais um bocadinho de tempo para brincar com os outros miúdos. Depois, quando estamos no carro, tudo depende se dormiu bem a sesta ou não. Às vezes, desbobina tudo o que fez. Outras vezes, é preciso arrancar.

Cenário 1 - dias em que nem sequer consigo que me diga o que almoçou.
"O que fizeram hoje? Colagens ou pinturas?"
"Nada."
"Estiveste o dia todo na escola e não fizeram nada?"
"Não me apetece dizer-te."

Cenário 2: o tagarela em ação
"O que fizeram hoje? Colagens ou pinturas?"
"A professora cortou ovelhas e colámos ao pé dos puquinhos"
"Boa... e quais foram as cores que usaram?"
"Ó mãe... as ovelhas são bancas, e os puquinhos são rosa... não podiam ser verdes, não achas? E depois, fomos almoçar, e depois fomos brincar mais um bocadinho, e depois fomos dormir. Acordaram-nos e fomos lanchar e depois tu foste me buscar."

Assim, tudo muito explicadinho e com muitos "depois... e depois... e depois".

Ultimamente, ir para a escola tem sido "um bocadinhoooo mais divertido". É amigo da Madalena, da Estrelinha (?? foi o que percebi) e do Salvador. E já não usa tantas desculpas. Se bem, que, de quando em quando, lá vem um "o bibe aperta-me".

16 de setembro de 2016

Crónica "Aqueles dias"

Tenho andado com a sensação que me falta alguma coisa. Não é "sentir falta"... e mais um achar que me esqueci de alguma coisa importante. Parece que a minha mente ainda está em modo "agosto" ligado e que, hoje, dia 16 de setembro, ainda está a pensar em bebidas frescas, jantares descontraídos, e em apanhar sol.

Hoje, percebi o que era quando estava a vestir o pequeno para a pré. É tão fácil vesti-lo. Uma roupa, o bibe e está feito. Eis então que me apercebi que ele tem tão pouca roupa. Tenho andado a alternar entre três pares de calças... e dois deles são, literalmente, iguais (um tem botão, e o outro uma mola, mas, de resto, iguais).

Estava a apressar-me para conseguir, ainda de manhã, ir ao Fórum, no mínimo, comprar mais um par de calças. Entretanto, decidi, que devia pôr de lado a roupa que já não lhe serve, numa onda de "vamos cá arranjar espaço". E vá de abrir gavetas. O que descubro? Não um, não dois... mas três pares de calças NOVAS, ainda com etiquetas penduradas, imagine-se!

Pronto, problema das calças resolvido! Mas coloquei, num saco, "n" camisolas de manga, mais finas, para as manhãs... novo problema ativo! E ele agora anda na fase "super-heróis", por isso, não podem ser umas camisolas quaisquer.




Aparte: numa destas manhãs, estava frio para xuxu, vesti-lhe uma camisola com manga comprida, com heróis. De tarde, o tempo abriu, e fazia calor... tantooooo calor. Não quis tirar a camisola. Suou o dia todo, porque queria ser um dos super-heróis. 


Agora tenho calças novinhas em folha, dois casacos novos (comprados no Inverno passado, nos saldos), e mais camisolas no monte do "para ver se ainda servem". 

Porque é que estas criaturas têm de crescer?! Que gastação de dinheiro, senhores... que gastação de dinheiro!!! 

5 de setembro de 2016

Pré-escola: o primeiro dia

São 10h15. Deixámos o pequeno na pré há cerca de uma hora e meia. E foi tão tranquilo... para ele.

O fulano, enquanto íamos no carro, ia dizendo que eram "as regras" que "os grandes" não iam para a escola. À chegada, a diretora pergunta-lhe se quer ir ter com os outros meninos. Disse que sim, imediatamente, sem sequer olhar para mim.
Alguns dos outros miúdos estavam no refeitório a ver bonecos. O Henrique abancou logo.

Enquanto o pai e eu íamos espreitar a sala, ver onde estava o cabide, e falar com a educadora, o fulano enturmou-se num abrir e fechar de olhos. E eu fiquei ali, a choramingar, feita tonta, ao vê-lo tão bem e tão desenrascado...

Passado uns instantes, ele vê-nos (eu já estava de olhos secos...), vem até à porta, diz-nos adeus, dá-me um beijo e volta para a brincadeira.

Tão simples como isto.

31 de agosto de 2016

Embrulho no estômago

Estou, literalmente, com o estômago virado do avesso.

O Henrique vai para a pré... para a semana! (GRITOOOOO)

Eu sei, eu sei... há mães que não se podem dar ao luxo de estar três anos com os filhos, acompanhar cada centímetro de crescimento, como foi o meu caso, e que são obrigadas a deixá-los no berçário ainda com meses de idade... 

Eu sei disso tudo e sinto que deve ser horrível. 

Eu estarei a deixar uma pequena pessoa, com uma personalidade dos diabos, e com um feitiozinho que não lembra ao próprio Demo. 
Vou deixar uma pessoinha com um metro de altura que fala que se desunha, mas que não sabe puxar o raio das calças para cima quando vai à casa de banho. 
Vou deixar uma pessoinha que diz que não gosta de sopa de espinafres, nabiça ou agrião, porque não quer ficar verde.
Vou deixar uma pessoinha que anda a passar por uma crise de personalidade e todos os dias é um super-herói diferente. E que fica irritado quando nos "enganamos". 
Vou deixar uma pessoa pequenina que, às vezes, é um menino crescido, e noutras, é um bebé. 
Vou deixar uma pessoinha que tem uma ânsia, uma febre tremenda de ter amigos, mas que não é muito boa na diplomacia de os fazer. 
Vou deixar uma pessoinha que é um tremendo maluquinho a brincar. 

São estas as diferenças entre deixar um bebé no berçário, ou um bebé crescido na creche, e deixar uma pessoa pequena na pré-escola.

A cinco dias do "Dia D", começo a olhar para ele, tão crescido e dou por mim a pensar: será que vai ser fácil entrar na rotina? será que se vai adaptar a um montão de regras? será que vai gostar? será que os outros miúdos vão gostar dele? como vai ser a relação dele com as educadoras? e doenças? e piolhos? 

Tantas dúvidas e tão pouco tempo. Eu é que devia ter-me preparado primeiro, creio. 

29 de agosto de 2016

As férias de Verão

Nada pede mais férias do que o tempinho quente que se sente no Verão. Ao contrário de outros anos, em Sintra, este sentiu-se bem, este ano. Temperaturas altas, Sol bem alto...

O volume de trabalho das semanas que antecederam as nossas férias era tal, que todos nós, cá em casa, pedíamos por férias, alto e bom som. Começámos por ir a casa da avó do Picoto. Estivemos lá num fim-de-semana, e experimentámos a piscininha que se comprou. Voltámos a casa, porque tínhamos compromissos.

Depois, estivemos em Almeirim. Os avó paternos têm lá uma casinha, que visitamos sempre. Passámos lá 3 dias a torrar, a ler, a brincar... no fundo, a aproveitar os primeiros dias de paz e sossego.
Tanto que o Kiko e eu inventámos um lema: "estas férias vai ser só comer, descansar e beber água!"

Entretanto, tínhamos agendado algumas noites para os arredores de Évora. Uma herdade alentejana, adquirida por um casal holandês e tornada em estância de agroturismo, era o nosso destino. Paz e sossego.
O calor. À noite, ouvíamos grilos e cigarras. Jantávamos por debaixo das estrelas. Durante o dia, o céu de um azul tão azul que nos poderíamos perder nele...
(e o Kiko a ficar farto de andar de um lado para o outro. E a queixar-se!)

Visitámos Évora... que se revelou uma enorme surpresa! Percorremos a cidade debaixo de um sol escaldante (as médias rondavam os 40 graus... coisa pouca!), comemos pastéis de nata conventuais. E tarte de requeijão. E Pão de Rala. Comemos cabrito. E pão alentejano, com queijo e chouriço, acompanhados de um vinhinho (o Kiko ficou-se pela água, claro!).

Quando estávamos na piscina, rodeada por figueiras, o cheiro adocicado dos frutos espalhava-se a todo o redor. 

E depois estávamo-nos a habituar. 

E as quatro noites esgotaram-se num estalar de dedos. 

E voltámos para casa. Aos 25 graus (17, à noite...). Fomos a Cascais e ao Santini. Comemos gelado de nata e maracujá e meloa... os sabores do Verão que ainda nos sabem às férias. 

Hoje, o pai já acordou cedo para ir trabalhar. O Henrique perguntou onde ele estava, quando acordou. Já estávamos habituados a estar os três juntos os dias inteiros. 







18 de agosto de 2016

Update em tempo de férias

A vida tem sido uma correria.

Praticamente há dois meses que não escrevo. Penso "logo à noite", mas a noite chega e com ela o cansaço. "Amanhã, também é dia", e esqueço-me ou outras atividades transformam-se em prioridades. E depois, passo horas da minha vida a escrever, e aquilo que supostamente é um gozo, deixa de o ser.

Os últimos dois meses em tópicos:

- o Henrique está cada vez mais fresco e fofo;

- deixámos as fraldas - dia e noite - com acidentes mínimos, e até já aprendeu a dominar o cocó;

- adora bebés, e é um óptimo babysitter;

- vai para a creche daqui a uns dias;

- aproveita cada segundo das férias (ahhh, é verdade: estamos de férias desde 2.ª feira);

- já chegaram os móveis para o quarto dele;

- durante estas férias, já dormiu duas noites num quarto que não o nosso, na caminha de viagem. Dormiu grande parte dessas noites, mas em ambas acabei a noite numa cama maior com ele, porque ele teve sonhos;

- faz sempre fita para jantar, sozinho. Se formos a dar-lhe à boca, é na boa. Sozinho é uma tragédia!;

- anda impossível. Tem um feitio que Deus me livre... faz birras por tudo e por nada. Literalmente. Se tem almofada na cama, não quer; se não tem, quer. Se está calor... se está vento... se está frio... birras cada vez que não fazemos o que quer... cruzes!;

- canta, dança, inventa músicas, brinca sozinho, faz desenhos, fala que se desunha... está cada vez mais independente e autónomo. Fico parva de cada vez que ele diz uma palavra "difícil" ou o tento ajudar a fazer determinada tarefa e ele diz que faz sozinho.

E eu, fico assim: maravilhada a olhar para ele...! (e a zangar-me também, mas isso é assunto para outro dia... prometo!)

20 de junho de 2016

Desfralde - o update mais esperado

Há semanas que tenho este texto nos rascunhos, sem o conseguir editar.

Estamos quase com 3 semanas de desfralde. E, contra as minhas expetativas, tem sido um sucesso. Começámos a 27 de maio. Hoje, é 20 de junho... quase-quase um mês.

O Kiko decidiu que já não é bebé. E só os bebés usam fralda, no seu entendimento.

Já conquistámos a fase de já não existir fralda para nada - nem sequer à noite. Nas sestas da tarde, os avós insistiam na colocação da fralda, até ele se insurgir! E, à noite, depois de uma semana de fraldas secas de manhã, fiz a experiência de tirar. E, em duas semanas, houve zero acidentes noturnos.

Nem em viagens grandes houve qualquer acidente. Fomos e viemos a casa dos meus pais; ele fez o seu xixi antes de entrar no carro e correu lindamente.

Estou muito orgulhosa dele, a sério.

O meu "problema" tem sido os cocós. Ainda não consegue controlar o "número dois", a ponto de avisar a sua chegada eminente.

Outras mães: como foi a vossa experiência neste campo?

A coisa boa é que agora vou começar a poupar nas fraldas como não o fazia há 3 anos e 3 meses...

Logotipo do site Tchau Fraldas
(http://tchaufraldas.com.br/)

30 de maio de 2016

O desfralde - update!

Estamos a iniciar o 6.º dia de desfralde. E, posso afirmar - mais uma vez - que me está a surpreender. Positivamente, entenda-se. Apesar do Kiko não ter demonstrado os sinais "clássicos" que estava pronto para desfraldar, não tem havido acidentes. 
Em cinco dias, houve UM acidente. Apenas unzinho!

Tenho-o posto no bacio, mais ou menos de duas em duas horas, apesar dele dizer que não tem xixi. E acaba sempre por fazer, por pouquinho que seja. Elogio-o sempre que faz no bacio. Ao fim do dia, digo-lhe sempre que estou orgulhosa dele. 

E ele diz que já não é bebé. E que está a crescer. E tem toda a razão: já não é mesmo bebé!

A partir de que altura é que se pode considerar desfraldado? E quando começar a tirar à noite? Dúvidas, dúvidas... 

Roubada por aí

27 de maio de 2016

Bye bye, diapers!!

Acho que estamos a conseguir deixar as fraldas. Vamos para o terceiro dia sem usar a amiga-fralda, e em que ele anuncia a urgência do bacio, com a expressão "emergência do xixi".

Vou ser sincera: isto andava a encanitar-me como nada me encanitou. Um miúdo tão espertalhão e nada de desfraldar... na creche, perguntaram-nos como estávamos de fraldas, e que na sala para onde ele vai, já não usam. A minha meta era desfraldar até lá.
Mas estava a ver as semanas a passar e o mini-fulaninho nada de dar sinais.

Até que se fez luz.

Esta semana, arriscámos usar cueca. Primeiro, só em casa. Durante a sesta. Fomos à rua e viemos e nada de acidentes. Fizemos passeios de carro "até mais longe" e não houve acidentes. Estou agora a ver a coisa com um olhar mais positivo.

Bye-bye, diapers!!!

23 de maio de 2016

Brincar aos "méquidos", mas só a fingir!

A fingir que era o Zorro
O Henrique está ali a dormir no sofá, enquanto rascunho estas linhas. Nem sempre consigo arranjar forças para atualizar este espaço as vezes que gostaria.
Passamos por momentos, por situações em que penso "isto daria um excelente post", mas depois acabo por me embrenhar na vivência desse momento que acabo por me esquecer.

Creio que essa é a parte mais importante de mim, como mãe: esquecer-me do acessório e focalizar o mais importante que é o meu filho.

Tinha preparado mentalmente posts indignados sobre os pais que acorrentaram o filho, sobre o absurdo que foi ler que, em 2015, se gastaram 5 milhões em calmantes para crianças... mas depois tudo se evaporou. Comprei uma espada de plástico e um conjunto de médico para o meu pequeno que queria ser um "pirata-méquido" e passei o resto do tempo a ser consultada, com o meu "especialista" a dizer que tinha o coração bom e a pôr-me pensos rápidos, a fingir.

Quando me diziam que o tempo passa a correr - já aqui o disse - pensava que era um exagerozinho, de nada, dos pais que passavam o dia a trabalhar. Mas a verdade é que o tempo passa mesmo a correr.

Velo-lhe o sono, com uma enorme vontade de me ir enroscar nele e senti-lo a dormir, sentir-lhe a respiração de quem dorme um sono profundo e tranquilo...
Prometi-lhe que se dormisse a sesta, depois íamos continuar a brincar aos "méquidos" e que eu ia ser a paciente. Mas que tinha de descansar um bocadinho que fosse, para ficar com mais energia. Reclamou; até que acabou por adormecer... o meu gato-bravo!

 

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