7 de outubro de 2018

O incêndio

No sábado, "nasceu", mesmo ao fim da noite (????) um incêndio na Serra de Sintra que, passadas apenas duas horas, já havia tomado proporções escandalosas. Felizmente, a ação dos meios de socorro foi bastante rápida e, apesar de, no concelho de Cascais, ter havido evacuação de aldeias, não houve danos de maior a lamentar.

Foi um incêndio bastante feio. E o vento estava, claramente, a sabotar o trabalho dos bombeiros. Estive até à uma e tal da manhã, a seguir as atualizações pela televisão.

Toda esta conversa para chegares onde, Cristina Maria? No domingo de manhã, acendi a televisão para saber como estava a situação. O Henrique, ao meu lado, estava abismado a olhar para as imagens da televisão.
Quando lhe disse que aquele incêndio não era muito longe da nossa casa, e que até lá tínhamos estado, nas férias do verão, redobrou a atenção. E começou a dizer o que faria se fosse bombeiro: que levava mangueiras muito grandes para apagar o fogo e que tinha de levar os outros amigos bombeiros.

(há séculos que ele diz que quer ser bombeiro quando for grande e não perde nem uma hipótese, por menor que seja, para entrar numa ambulância ou num carro de combate a incêndios. Fim do aparte.)

Depois começou a lamentar que todos os seus carrinhos de bombeiros não eram de verdade para ele puder ir ajudar.

Mais tarde, fomos almoçar num estabelecimento em São Pedro de Sintra, onde costumamos ir, e, pouco depois, acabam por entrar três militares (dos Comandos). Ficou louco só de ver os "senhores tropas" e ainda mais quando lhe sussurrei que, provavelmente, eles tinham estado no incêndio.

Viraram heróis, claro!

Um nadinha antes de sairmos, o bom do Henrique não se conteve e interpelou os três:

"Olá, senhores tropas. Vocês estiveram no incêndio?"

Gargalhada. Um deles perguntou-lhe se ele sentia o cheiro a fumo nas roupas deles e outro disse-lhe que até tinham chegado primeiro do que os bombeiros.

O alarme do Henrique disparou. "Primeiro do que os bombeiros? Como é que é possível?". E foi com esta dúvida que ele lhes virou costas e saímos. Mas, o entusiasmo ninguém lho tirou. "Papá, aqueles senhores tropas estavam MESMO no incêndio. E chegaram primeiro de todos!".

Bombeiros e Comandos... acho que o Henrique encontrou uma nova vocação.

Foto RTP

24 de setembro de 2018

Henrique Ramone

"Mamã, o papá disse que eu sou um rapaz do rock!"

E porquê, perguntam vocês... porque esta é a nova música preferida do carapauzito!!


18 de setembro de 2018

O raio do feitiozinho torcido

Desde há umas semanas que o meu rico filho não passa um dia sem ouvir dois berros. Atenção: amo o meu filho incondicionalmente. Não tenho nada, em toda a vida, tão valioso como ele... mas, anda com um feitio que dói só de pensar.

Quando começou a ser maiorzinho, falavam dos "terríveis dois", mas, ao pé deste ogrezinho em forma de gente, os dois anos foram canja.

Está naquela fase em que já faz uma data de coisas sozinho: despir e vestir, lavar os dentes, calçar-se, comer... e depois pensa que já consegue fazer TUDO sozinho e fica irritado quando o ajudo, mais não seja, para nos despacharmos. A independência é uma coisa muito gira, mas fica altamente frustrado quando as coisas não correm como ele quer.

Irrita-se facilmente quando não ganha um jogo, por exemplo. Andamos a tentar fazê-lo entender que perder é uma parte da vida e que, nem sempre, ele irá conseguir ganhar tudo. Andamos a tentar fazê-lo entender o conceito de persistência e de fair-play. Quando jogamos alguma coisa, não o deixo vencer sempre, para que perceba que também gosto de ganhar. Quando perde é "fizeste batota" e "já não quero mais". Este capítulo da vida dele vai ser trabalhoso, mas há umas semanas, deixou uma menina mais pequena ganhar uma corrida - lá bom coração tem o moço!

É generoso e não se importa (muito) de partilhar, mas se embica que não, irrita-se. E fica brutalmente chateado se alguém não lhe empresta algo, mesmo depois dele o ter feito.

E já nem falo das respostas sarcásticas e meio atravessadas (mas com o seu quê de "touché"), porque isso já vem desde que aprendeu a falar...

Às vezes, comentamos entre nós que este feitiozinho só lhe devia dar daqui a uns bons 10 anos, mas o fulaninho adiantou-se à adolescência.

Parte-me a cabeça, põe-me a paciência em cheque-mate e rapidamente passo de "és a melhor mãe" para "já não vou brincar mais contigo, és péssima"... mas depois faz-me desenhos carregados de corações, porque sabe que gosto, dá-me abraços apertados, porque são os meus favoritos, faz-me ataques de beijos...

(e a louca sou eu?!)


16 de setembro de 2018

Último ano de creche

Longos meses passaram desde que aqui escrevi pela última vez. Entretanto, trabalhei muito, estive de férias, assinalou-se o 1.º aniversário da morte da minha mãe, tornei-me tia de um rapazinho prematuro, fiz as compras do material para o último ano de creche do Henrique... enfim, um sem fim de capítulos nesta minha história.

(há um ano, mal conseguia respirar em condições. Hoje, já inspiro e expiro com menos dificuldades, mas o buraco no peito permanece. Não sei sequer se, um dia, sarará por inteiro)

Sei que já o disse antes, mas, vou tentar ser mais assídua. O último ano de creche do Henrique promete... este ano, será "finalista" e, no alto dos seus 5 anos, ainda não entendeu como o pai e eu estamos a entrar em stress com a ideia de, no próximo setembro, ele entrar na primária. Até abril, altura das matrículas, precisamos de ter as ideias bem assentes. Os próximos meses serão um jogo de nervos.

6 de maio de 2018

Dia da Mãe

Olá, mãe...

quão estranho é viver este dia, e passá-lo, ao mesmo tempo, com a tua ausência? Durante toda esta semana, vivi ansiosa com a chegada deste dia, porque, viver o Dia da Mãe sem ti, não é vivê-lo plenamente, não é gostá-lo plenamente...

Todos os dias, penso em ti, sabes disso? Todos os dias, penso no que poderia ter feito diferente, no que podia ter dito de outra forma... tivemos as nossas discussões, claro - quem nunca discutiu com a mãe que ponha o dedo no ar - mas, nunca, nunca, nunca duvidámos do Amor.

Todos os dias, imagino-me a ter mais 10 minutos contigo. Apenas 10 minutos mais. Para te dizer apenas mais uma vez o quanto gosto de ti. Queria também pedir-te desculpa, sabes? Com as rotinas e os dias cheios, às vezes, tomamos as pessoas por garantidas, e julgo que fiz isso contigo. Tomei-te como garantida - afinal de contas, só irias partir daqui a muito tempo - e não investi, contigo, todo o tempo que... agora... dou como perdido.

Se eu tivesse mais 10 minutos, iria ficar dormente de te abraçar, juro! Queria ficar agarradinha a ti, e deixar que o silêncio gritasse tudo o que tenho entalado na garganta há mais de oito meses. Só queria ter mais 10 minutos para sentir o calor do teu corpo junto a mim, as tuas mão a passarem-me pelo cabelo e sentar-me no teu colo. Sinto tanto a falta do teu colo, mãe.

Todos os dias, penso em ti, mãe. E era só isto que te queria dizer, por agora... acho.



29 de abril de 2018

O que temos feito ultimamente?!

Estou em "silêncio" há algum tempo, neste espaço. Mas isso não quer dizer que não andemos a fazer cenas, porque andamos.









11 de abril de 2018

A orfandade de quem fica

Tenho tido muito pouco que escrever, aqui, neste espaço. Desde os anos do Henrique, todos os dias penso em abrir o browser e lançar-me ao teclado. Mas... escrever o quê? Palavras banais e forçadas?! Não, muito obrigada.

No domingo de Páscoa, assinalaram-se 7 meses desde a morte da minha mãe. E, no fundo, a minha mente, a cada 15 dias, começa um processo de pensar nela e nos eventos que se seguem. Depois do funeral, comecei a preparar-me para os processos burocráticos. Depois o aniversário dela e o Natal. Depois os anos do meu irmão, seguidos do meu próprio aniversário e do do Henrique. E, a juntar a isto, a cada dia 1, sinto uma pedra no peito, que parece que vou sufocar.

Neste momento, penso no aniversário do meu pai - daqui a uma semana - e no Dia da Mãe. De todos os dias, este vai ser o que mais me custará.

O sentimento de orfandade é uma merda. Sabiam? Não ter, ao meu lado, a pessoa que me viu crescer, a pessoa que sabia tudo sobre mim, a pessoa que, passados mais de 30 anos, sabia o meu peso e medidas e horas exatas do meu nascimento... a minha referência, o Norte da minha bússola, o meu colo...

Desde essa altura, o meu medo da morte mudou. Se, por um lado, sei e tenho consciência que, um dia, todos nós havemos de morrer... por outro lado, fico aterrorizada com a ideia que, a qualquer instante, posso perder mais alguém. A minha avó, cuja idade avança... o meu pai que, infelizmente, não teve sorte no campo da saúde... o meu irmão e a minha cunhada que viajam com frequência... e, nem quero colocar, em voz alta, a hipótese de acontecer alguma coisa ao Luís ou ao Kiko.

Sonho muito com ela. Às vezes, não consigo perceber se são projeções ou se são memórias... sei apenas que não são sonos descansados, porque, inconscientemente, tento lutar contra isso: contra o sonho. E acordo cansada, tão exausta como quando me deitei.

Aos poucos, vou tentar ser mais assídua. Tenham paciência comigo, por favor!

15 de março de 2018

5 anos!

Henrique,

não sei o que vai acontecer no Mundo nos próximos anos. Confesso-te, meu amor: ao contrário do que possas pensar, a mamã não sabe tudo.

Sei que te amo. Todos os dias. Mas, isso, também tu sabes, porque to digo. Todos os dias. Mas, a mamã não sabe se algum dia vais ler este blogue, e estes textos que escrevo para ti. Um dia, os computadores, os blogues... vão ser obsoletos! Serão, para ti, conceitos tão antigos que irão dar vontade de rir. Vão ser coisas do tempo dos teus pais, tal como, para mim, foram os sofás floridos ou as alcatifas nos quartos.

Sei que, ainda hoje, no dia em que fazes 5 anos... acordo e fico sempre feliz por estares aqui.

Sei que, ainda hoje, se ficas com febre, fico aterrorizada com a simples ideia de teres qualquer coisa mais grave do que um simples picozito de temperatura.

Sei que, ainda hoje, se cais e fazes beicinho - e mesmo quando dizes que está tudo bem e que não te magoaste - à noite, dói-me o coração ao ver mais uma nódoa negra nas tuas pernitas.

Sei que, quando dizes "eu consigo!"/"eu faço!"/"já sou crescido!", tens razão - que és capaz e que já és um menino crescido - quero ser eu a abotoar-te os botões ou a vestir-te o pijama.

Sei que, ainda hoje, gosto de cheirar o teu cabelo e aspirar o teu aroma depois do banho. Fecho os olhos e tento conservar essa memória olfactiva, para sempre! Tal como o fiz, naquele primeiro dia.

Sei que, ainda hoje, quero prolongar a tua bebezice. Tens 5 anos, eu sei. Eu estava lá. Tenho uma cicatriz, abaixo do umbigo, que me lembra - todos os dias! - todas as dores que senti nas semanas e meses após o teu nascimento. Mas, hoje, estás aqui. Ao meu lado. E, caramba, como vale a pena!

Parabéns, filhote! Adoro-te, daqui até à Terra do Pai Natal, que é mais longe do que a Lua - porque não a conseguimos ver da janela da cozinha!



4 de março de 2018

Personalidade de peluche

Há umas semanas, um dos peluches do Henrique descoseu-se. O pobre bicho tem estado a um canto, esquecido, literalmente. É o Cenouras, um coelho amarelo, simpático e bem-educado.

O Henrique tem também o Pedro, um passarinho, um bocado barulhento. Mas, o seu preferido é o Bobi João, um filhote de panda com a mesma idade - 5 anos, e que é o seu grande companheiro de brincadeiras.

Todos os peluches do Henrique têm um nome e uma personalidade, e é engraçado ver como ele interage com os peluches, de acordo, com as personalidades que lhes imaginou. E o mais estranho ainda é que eu "conheço" cada um deles.

Quando o deito, despeço-me dele e do peluche escolhido para essa noite, e tenho de dar um discurso sempre condizente. Se é o "Pedro" tenho de o avisar que à noite não se brinca e que está na hora de dormir. Se é o Cenouras, basta-me dizer boa noite e desejar-lhes bons sonhos. Se é o Bobi João, tenho de lhe dar um beijinho de boa noite e fazer umas coceguinhas na barriga, porque ele gosta.

Admiro-me com esta capacidade do Henrique em criar. Criar, no geral. A imaginação que ele tem, força-me a prestar atenção aos detalhes, porque se me engano, está o caldo entornado!

Posto isto: já cosi o rasgão da cabeça do Cenouras. E adivinhem quem se portou lindamente, nessa noite?

1 de março de 2018

Terapia assistida

Hoje, dia 1 de março, completam seis meses desde o funeral da minha mãe. São seis meses em que a minha vida nunca mais foi a mesma.
A dor da perda é inqualificável. Dói-me tanto hoje, como doeu há seis meses...

Hoje, contudo, fiz algo diferente que não me permitiu ficar triste. Fui à creche que o Henrique frequenta e durante quase duas horas brinquei, conversei, ajudei um grupinho de quase 20 crianças, com 4 e 5 anos. A ideia era ir apenas contar uma história... mas foi muito melhor que isso.

Os miúdos estavam em êxtase de ter uma pessoa diferente com eles; e eu senti-me tão bem junto daqueles piratas em forma de pessoa pequenina que dei por mim a pensar que não há terapia ou terapeuta que consiga alcançar este nível de bem-estar.

Duas das meninas fizeram desenhos para me oferecer. Quase me deu a impressão de ter ganho a lotaria. Um dos desenhos tem um coração; a pequenina que mo ofereceu deu-me um dos abraços mais fortes que alguma vez senti.

Como não amar este dia? Como sentir rancor por este dia? Impossível... hoje foi um bom dia. Sim, sem dúvida. Um excelente dia. Obrigada, sala do Reino Encantado.


 

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