3 de novembro de 2017

In The End

It starts with one thing
I don't know why
It doesn't even matter how hard you try
Keep that in mind
I designed this rhyme
To explain in due time
All I know
Time is a valuable thing
Watch it fly by as the pendulum swings
Watch it count down to the end of the day
The clock ticks life away

It's so unreal
Didn't look out below
Watch the time go right out the window
Trying to hold on, but you didn't even know
Wasted it all just to watch you go
I kept everything inside
And even though I tried, it all fell apart
What it meant to me
Will eventually be a memory of a time when

I tried so hard
And got so far
But in the end
It doesn't even matter
I had to fall
To lose it all
But in the end
It doesn't even matter

One thing, I don't know why
It doesn't even matter how hard you try
Keep that in mind
I designed this rhyme
To remind myself of a time when
I tried so hard
In spite of the way you were mocking me
Acting like I was part of your property
Remembering all the times you fought with me
I'm surprised it got so
Things aren't the way they were before
You wouldn't even recognize me anymore
Not that you knew me back then
But it all comes back to me in the end
You kept everything inside
And even though I tried, it all fell apart
What it meant to me will eventually be a memory of a time when

I tried so hard
And got so far
But in the end
It doesn't even matter
I had to fall
To lose it all
But in the end
It doesn't even matter

I've put my trust in you
Pushed as far as I can go
For all this
There's only one thing you should know
I've put my trust in you
Pushed as far as I can go
For all this
There's only one thing you should know

I tried so hard
And got so far
But in the end
It doesn't even matter
I had to fall
To lose it all
But in the end
It doesn't even matter


30 de outubro de 2017

Como explicar a morte a uma criança?

A morte da minha mãe foi um momento crucial para mim - tal como será, certamente, a morte de um ente amado, para qualquer pessoa que me leia.
As enfermeiras - ao longo dos dias - iam-nos dizendo para nos prepararmos para o pior.

"Como é que alguém se prepara para a morte? E mais: para a morte da própria mãe?", perguntava eu. É impossível. Não há preparação possível. Há um processo de mentalização e pouco mais.

E depois, avistava outra questão fundamental: como vou contar ao Henrique que a avó morreu? A avó com quem ele dormia sempre que a visitávamos?
Como explicar a morte a uma criança de 4 anos que ainda nem sequer consegue perceber esse conceito? Se, nem eu - no alto dos meus 34 anos - consigo processar, como fazer uma criança entender? Li algumas coisas. Simplificar, responder às perguntas da forma mais clara possível... e atenção: as crianças são imprevisíveis e poderão aceitar melhor do que se espera.

Não sou psicóloga. Não tenho formação com crianças. A única coisa que tinha é o meu tacto de mãe.

A minha mãe morreu a uma 5.ª feira. O funeral foi na 6.ª e eu estava um caco. O Henrique tinha passado 5 dias em casa dos avós paternos - o maior número de dias separado de mim, desde sempre. Ele começava a escolinha na 2.ª feira. Falei com a educadora dele. Havíamos combinado que só diríamos mais tarde, para ele passar - sem sobressaltos - a primeira semana de escola. No sábado seguinte, durante a tarde, foi o momento.

Usei a minha educação cristã, para embelezar um pouco a coisa.

"A avó São estava, como tu sabes, muito doente. Então, foi ficando cada vez mais fraquinha e mais fraquinha e morreu. Agora, ela é quase como uma estrela... é o teu anjo da guarda. Lembras-te quando te ensinei a oração do anjunho? Anjinho da Guarda / Minha companhia / Guarda a minha alminha / De noite e de dia... - quer dizer, que, agora, a avó São vai estar sempre sempre a tomar conta de ti. Vai ser o nosso anjo mais especial!"

Expliquei que me iria ver triste e, se calhar, a chorar um pouco, mas que não se preocupasse, porque eram só saudades.
Inicialmente, riu-se. Ouve tantas vezes o pai a dizer que "morreu" na Playstation que a morte, para ele, deveria resolver-se com um revive de um parceiro de equipa.

"Percebes, filho, o que a mamã está a dizer? Quando formos a casa da avó, ela já não vai estar lá. Nunca mais. Só o avô e os tios".

À noite, a coisa "bateu-lhe". Começou a fazer perguntas:
- se a avó estava fraquinha, porque não comeu mais comida para ficar forte, mamã? Dizes sempre que a comida nos deixa mais fortes e com energia...
- porque é que a avó morreu?
- agora quem vai brincar comigo ao jogo da pesca?
- se tu morreres, quem toma conta de mim?
- e se eu morrer...?

Perguntas em catadupa que me fizeram engolir em seco, tentar abafar o meu próprio desgosto e explicar o melhor que podia, de maneira satisfatória.

Acho que entendeu. Hoje, já dois meses praticamente volvidos, de quando em quando, dá-me um beijo e um abraço, assim do nada: "para não ficares mais triste, mamã, porque a avó morreu!".


27 de outubro de 2017

Aprender sem ti, Mãe!

(Tenho o Henrique a dormir tranquilamente ao meu lado. 
É a tranquilidade dele que me vai acalmando, em certa medida)

Estas duas últimas semanas têm sido portentosas. Demasiadas memórias, o aproximar dos dois meses sem a minha mãe... a pedra tumular que foi colocada hoje. Escolher a pedra já tinha sido uma tarefa hercúlea, mas vê-la colocada... foi uma verdadeira chapada de realidade.

Estão quase a passar dois meses e ainda tenho - várias vezes - o reflexo de pegar no telefone e ligar-lhe. Fico com um aperto que vai da garganta ao peito, quando me apercebo do que acabei de tentar fazer... a voz dela fica a ecoar no meu cérebro durante um bocado e perco, por momento, as energias. Sento-me, depois molho a cara... e sigo!

Incrível como estes quase dois meses têm sido quase uma aprendizagem.

Uma mãe veste-nos, alimenta-nos, ensina-nos os primeiros passos e as primeiras palavras... e agora? Quando a nossa referência desaparece? Eu não sou só a Cristina. Eu sou a mãe do Henrique. Eu sou a filha da São e do Vitor, mas agora sem São. Qual é a minha identidade sem a pessoa que me deu a identidade? Sem aquela que me ensinou a andar, quais são os meus próximos passos? É isto que tenho de aprender; aprender a guiar-me sem a mão dela na minha mão..

Façam-me um favor: desliguem o computador, agora, e vão abraçar as vossas mães. Dava tudo para o puder voltar a fazer.


19 de outubro de 2017

Os pais (também) são seres que nos são emprestados

José Saramago escreveu um dia:
"Filho é um ser que nos foi emprestado para um curso intensivo de como amar alguém além de nós mesmos, de como mudar nossos piores defeitos para darmos os melhores exemplos e de aprendermos a ter coragem. Isso mesmo! Ser pai ou mãe é o maior ato de coragem que alguém pode ter, porque é expor-se a todo o tipo de dor, principalmente o da incerteza de agir corretamente e do medo de perder algo tão amado. Perder? Como? Não é nosso, recordam-se? Foi apenas um empréstimo."

E com os pais passa-se o mesmo. Esperamos deles que nos alimentem, nos vistam e nos eduquem. Que nos amem. Que nos ensinem. Que nos beijem e nos castiguem. Mas, no fim, quando já adultos, percebemos que isto de ser filho não é tão linear assim. Que, afinal, os pais não vão ficar sempre ali para nos amparar.

A minha vida - e a do meu irmão - sofreu um revés. Um enorme revés. O maior deles todos: perdemos a nossa melhor amiga. A nossa confidente. A mulher das nossas vidas.

E tudo me lembra ela. As caixas de plástico que ela enviou com comida e nunca foram devolvidas. As roupas que visto ao Kiko e que foi ela que ofereceu. As roupas para o miúdo que ainda tenho guardadas (porque eram grandes) que foi ela que deu. Abrir o congelador e encontrar lá coisas que ela mandou. Ou abrir uma gaveta e encontrar o postal de Natal com a letra dela.

Todos os dias choro. Choro quando se aproximam as horas em que lhe ligava. Choro quando vejo uma foto dela. Choro quando me lembro dela, do sorriso, da voz e choro, choro, choro...

A dor de perder a mãe não tem comparação. É que não é só perder a mãe. É perder o porto seguro, é perder o pé na piscina e não conseguir vir ao de cima. Ser filho... também é um ato de coragem! E ninguém nos prepara para isto!



17 de outubro de 2017

Odeio 2017

A minha mãe morreu. Às 06h00 do dia 31 de agosto, tornando, assim, 2017, oficialmente, o pior ano de toda a minha vida.
A dor que trago em mim é tão esmagadora que estive, até ao dia de hoje, a pensar se havia de voltar a escrever, ou se deixava definhar os blogues.

Mas como me disseram, escrever ajuda-me a libertar a alma.

Não é fácil lidar com a morte. Não é fácil lidar com a morte de um pai - especialmente, daquele que nos trouxe ao mundo, limpou-nos o rabo, mudou-nos a fralda, nos velava quando adoecíamos, dava beijos nos dói-dóis, nos escutava, nos amparava... a minha mãe era isto e muito mais.

A dor que trago é tão grande que não existem, no mundo, medidas suficientes para a contabilizar. Tenho vindo, lentamente, a perceber que não há como lidar com a dor da perda. Aprendi sim, a adaptá-la aos dias. A encaixá-la nos momentos "mortos" do dia.
A tristeza, a amargura, a raiva... não desaparecem. Creio que, dificilmente, desaparecerão.

Continuo a chorar, enquanto escrevo estas linhas. Sei que as lágrimas não ma devolverão. Sei que ela odiaria ver-me assim, mas é tão mais forte do que eu.
Quando desligo o chip de "filha" e ligo o chip de "mãe", as lágrimas páram. O Henrique merece ter a mãe a 100% para ele. E, isto, aprendi com a melhor!


19 de agosto de 2017

'Tadinho do bloguezinho da sua mãe

Em muitos dos meus dias, penso no Estrelices. Não é um pensamento constante, nem coerente... nuns dias penso que deveria voltar a escrever; em outros, penso em acabar de vez com isto; depois, penso que deveria fazer ao blogue, aquilo que defendo para o Planeta Terra - implodir esta porra de uma vez só, e começar de novo. 
Mas, penso naquilo que me fez criar o blogue, e vejo-o como a minha primeira grande criação, e como sou daquelas pessoas que gosta de guardar até o cotão, por razões emocionais, cá o vou mantendo. De quando em quando, dou-lhe uma golfada de oxigénio para que não se extinga de uma vez. 

Sempre que me ausento, a razão é sempre a mesma: como ganho a vida a escrever, "canso-me" de escrever por recreação, só porque sim... e, nos últimos tempos, há coisas que não têm andado famosas, o que leva a exaustão a um patamar completamente diferente. 

Nem sequer as piadolas do Henrique me têm feito abrir o Blogger. 

Não vos contei aquela vez em que ralhei com ele e, 
num desabafo, disse: 
"Poças... não há quem te ature!". 
A resposta do cavalheiro: 
"se eu tivesse um irmão, não tinhas de me aturar!". 
BANG. Henrique - estratosférico vs Mãe - 0.

A necessidade de parar para reorganizar a mente (e a vida!) é urgente! Voltarei em Setembro - até lá, o meu cérebro está a banhos. 


22 de junho de 2017

O fascínio da cozinha

Desde que me mudei para Sintra, comecei a cozinhar mais. E - juro! - que não é a pior coisa do mundo. Claro que há coisas que me saem piorzito, mas, no fim de contas, toda a gente come, não reclama e até à data não houve problemas.

Depois, comprámos a Yammi. Houve um período de fascínio, em que a usava diariamente. Agora, uso-a mais no inverno para "despachar" as sopas, ou alguma sobremesa.

Mas, ultimamente, quem anda fascinado com o mundo da cozinha é o Kiko. Anda perfeitamente embevecido com Os Segredos da Tia Cátia, no 24 Kitchen.
Juro pela minha saúde. O rapaz fica a olhar para a televisão enquanto a Tia Cátia ciranda, de um lado para o outro, a selar bifes ou a picar coentros.

Tia Cátia, ganhou um fã!

(vou-lhe mostrar também a Filipa Gomes, e daqui a uns anos tenho, em casa, 
um vencedor do Masterchef... quais Pedro Jorge, qual carapuça!)



20 de junho de 2017

O nosso tamanho no Mundo

Resisti a escrever qualquer coisa sobre os últimos acontecimentos. A sério que sim. Tive tempo suficiente para o fazer, mas... palavras para quê? Para quem?

Olho para o Henrique a pular feliz, a pensar na festinha e no passeio de final de ano letivo, a preparar as coisinhas dele para a época de praia, e penso nos pais que perderam os filhos. Nas famílias - iguais à minha - que desapareceram. E choro, porque nunca mais, as coisas vão voltar a ser o que eram para estas comunidades.

Antes que comece a "caça às bruxas", antes que se comecem a apontar dedos... que se chorem e enterrem os mortos!
Que se faça um luto sério, consciente e sem ruídos.
Que, por um momento (só por um momento), o futebol seja só um jogo ou a política seja só algo com que temos de viver. Que se esqueçam as quezílias. Que os buracos na estrada, um passeio com ervas ou o preço da gasolina não seja mais que isso: pormenores em algo muito maior do que nós!



30 de maio de 2017

Uma ida ao Teatro

No passado domingo, fomos ao Politeama ver A Pequena Sereia, de Filipe La Féria. O convite partiu dos tios, e o Kiko, as primas, eu, a tia e a avó Fátima lá estivemos, na primeira fila.

Com o Kiko, a cena do "comportamento" é sempre um risco, mas eu estava com um bom feeling. Já tem 4 anos, era uma história infantil, ele nunca tinha estado num teatro "a sério"... era uma boa conjugação.

E correu lindamente. Estava perfeitamente deslumbrado com o espaço, com o que se passava no palco... os olhitos brilhavam, batia palmas, olhava para tudo como que absorvendo cada momento... é esta a magia do teatro.

Fotos: Produções Filipe La Féria





26 de maio de 2017

Eu, o Henrique e o GPS

Trabalho, trabalho, trabalho, mãe no hospital, visita relâmpago a Leiria, trabalho, trabalho, trabalho, Henrique, Henrique, Henrique, Henrique, Henrique, Henrique, Henrique, Henrique, Henrique, Henrique, Henrique, Henrique, Henrique, Henrique, Henrique, Henrique, Henrique, Henrique, Henrique, Henrique... acho que já perceberam a ideia...

(e com esta camadona de nervos, apareceram-me duas borbulhas no queixo... carai)

O que me vai safando, no meio disto tudo, são as conversas com o Henrique - são assim como tomar um paracetamol quando estamos com uma dorzita! Alivia a dor, até à próxima vaga.

No dia da visita ao hospital, estava eu, à noite, a tentar instalar o GPS no telemóvel, porque no dia seguinte teria uma entrevista e tinha de me orientar. O Henrique queria brincar, obviamente.
Eu - Filhote, espera só um minuto que a mãe está a pôr uma coisa no telefone...
Ele - O que é?
Eu - É uma coisa chamada GPS...
Ele - GPS? O que é?
Eu - A mamã amanhã tem de ir a um sítio um bocadinho mais longe, e este GPS ajuda a mamã a conduzir. Vai dizer assim "vira para a direita", "vai por esta rua"... estás a perceber? É para a mamã não se perder.
Ele - Sim.

E ficou por aí mesmo. No dia seguinte, quando o fui buscar à escola, disse que tinha apanhado o mesmo atalho que o pai costuma usar.
Ele - E usaste o GPS?
Eu - Não, filhote. Este caminho, a mamã conhecia, e não foi preciso usar.
Ele - Mas tu disseste que o GPS era para te ajudar a conduzir. Então porque o meteste no telefone, se não ias usar?

PUMBA: Henrique 358 - Mãe 0


 

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