14 de dezembro de 2017

Uma questão de números

Medalhões de pescado com legumes variados: cenoura,
couves de Bruxelas, batata doce, cebola
Mesmo antes de ter perdido a minha mãe, estava numa tentativa de perder peso. Nada de especial: queria sair da casa dos 60 quilos e baixar até aos 55 (ou um bocadinho menos, vá!). A gravidez do Henrique trouxe-me uns quantos quilos extra e apesar de ter andado numa de ganhar-perder-ganhar peso, queria voltar a sentir-me bem.



Sempre vesti números "pequenos" e apesar do tamanho "M" não ser muito, queria (quero!) voltar a sentir-me bem com o meu corpo.

Bolo de caneca, de banana, aveia e canela
(sem adição de açúcares)
Depois de 31 de agosto, estive uma temporada a comer pouco e mal. Depois, passei essa fase e entrei na "que se dane!!" e comia só porcarias.

Voltei a focar-me, de volta, não há muito tempo. Acho que para já, estive a tentar minimizar os efeitos daquelas semanas de "estragação". Estou, hoje, com 58kg. Para já, falta-me perder três quilitos (quem diz três, diz quatro ou cinco!).

Não estou a seguir nenhuma dieta.. atenção. Fiz apenas pequenos ajustes à minha alimentação, por minha conta e risco: aumentei o consumo de água, redução dos doces, reduzir o consumo de pão branco, comer mais saladas e vegetais, etc etc etc... e a verdade é que tenho conseguido.

Ao pequeno-almoço, tenho comido ovos, ou panquecas de banana e aveia, ou pão escuro com fiambre de peru ou queijo de cabra. Sempre acompanhado de leite - do "normal", porque gosto de leite e não percebi ainda a cruzada contra o pobre desgraçado. Depois, termino com um café.

Os almoços, por norma, são sobras do jantar do dia anterior. Se não tiver sobrado nada, faço uma salada com uns ovos mexidos. Termino com fruta.

Ao lanche, como fruta ou iogurte natural sem açúcar com sementes (chia e abóbora) com mel, ou fruta fresca com mel, ou nozes e mel.

Ao jantar, como sopa, seguida de um queijo fresco (com abacate, temperado com pimenta e um niquinho de sal).

Nos intervalos, como frutos secos (especialmente nozes, ou uma mão cheia de amendoins - sei que os amendoins não são os ideais, mas gosto!), ou uma peça de fruta.

Desde que o tempo começou a ficar mais frio, voltei a reduzir o consumo de água. Aqui está um ponto que tenho de trabalhar, para melhorar... e muito! Aos fins-de-semana, é o caos total e absoluto. São os dias em que exagero, são os dias em que lá vai pizza, batatas fritas, sobremesas, um bolito caseiro ou crepes para o lanche de domingo, pequenos-almoços que envolvem manteiga e croissants... enfim, fosse eu seguida por uma nutricionista e ela abespinhar-se-ia a cada descrição!

Mas, regra geral tenho sido uma linda menina e mereço ver ao espelho, as minhas roupas a ficarem mais largas!

Quiche de frango, com salada de beterraba, alface e tomate cherry.
Gelatina de maracujá para sobremesa

8 de dezembro de 2017

Hoje, farias anos!

Mãe, quero que saibas que te recordo. Farias, hoje, 64 anos.

O Henrique far-te-ia um desenho. Iríamos almoçar algures, como quase sempre neste dia... ou encomendarias, como nos últimos "ajuntamentos" de família. Mas, hoje, não estás cá. Continua a ser difícil conceber uma ideia de estar sem ti.

Nestes meses - 3 meses e uma semana - tenho pensado nas nossas vidas. Não me consigo lembrar se te disse, vezes suficientes, o quanto te amava. Foste minha colega de trabalho, foste minha companheira na associação, foste minha comparsa nas idas à semana académica - íamos sempre ver os Xutos & Pontapés - foste a mãe que me ouvia, foste o exemplo de mulher e de mãe que quero ser para o Henrique... aliás, se eu for 1/10 de mãe que foste, já fico feliz!

Hoje eram os teus anos. Os primeiros em que, simplesmente, não estás! Virá o Natal - sem ti! O aniversário do meu irmão - sem ti! O meu aniversário - sem ti! O aniversário do teu 1.º neto - sem ti! O Dia da Mãe - sem ti! E vamos criar aqui um ciclo de "dia sem ti!" e não gosto. Não que os meus gostos sejam para aqui chamados, mas não gosto de estar sem ti. Se isto fosse uma merda de um electrodoméstico, ia devolver sem pestanejar.

Este é aquele dia que eu temia. Desde o 1.º dia que temo a chegada deste 8 de dezembro. Nunca mais vai ser um dia de festa, de celebração da tua vida... vai passar sempre a ser mais um dia em que me fazes falta. Como irá ser o 25 de dezembro, o 26 de janeiro, o 23 de fevereiro, o 15 de março e o 1.º Domingo de cada mês de maio...

À tua, mãe... sempre à tua!



5 de dezembro de 2017

Têm uma ideia de negócio, mas não sabem como começar?

(post escrito em parceria com a ONG, Acredita Portugal)

Quando foi a última vez que se ouviu falar - à séria - em empreendedorismo? Durante a Web Summit, talvez... e quando foi a última vez que pensaram "este emprego não é para mim, devia mudar isto!"? E que tal um concurso de empreendedorismo?!

Então, tenho o prazer em informar que já estão abertas as inscrições para a 8.ª edição do Concurso Acredita Portugal, o maior concurso de empreendedorismo do país. O concurso apoia qualquer pessoa com uma ideia de negócio, mas não sabe como avançar, ou quem já arrancou, mas quer feedback de especialistas.

As inscrições podem ser submetidas online, de forma gratuita, até ao dia 14 de janeiro de 2018 através de https://goo.gl/KKpNxx. Qualquer pessoa se pode candidatar, independentemente da formação e idade. O objetivo é premiar os melhores projetos e ajudar todos os portugueses a desenvolver as suas ideias empreendedoras.

Há mais de 500.000 € em prémios e os finalistas terão contacto direto com investidores.

O concurso disponibiliza ainda um programa de pré-aceleração, em que mentores e especialistas dão feedback personalizado a cada projeto, preparando-o para o mercado.

Mais informações em: https://goo.gl/eiQ26v.


30 de novembro de 2017

Vai em paz, Zé Pedro

Das minhas primeiras lembranças de Xutos & Pontapés é de ouvir A Casinha. Lembro-me de andar a saltitar no pátio da casa dos meus avós a cantá-la, aos berros! Eram os primeiros acordes de rock que ouvia e que me enchiam de adrenalina.

Os Xutos acompanham-me desde criança, portanto.

Outra das minhas lembranças é de ir, com a minha mãe, durante as semanas académicas, assistir ao concerto da banda. A minha mãe que, com 50 anos, pulava e cantava como se tivesse os mesmos 20 do pessoal que a rodeava.

Para mim, a perda de hoje... a perda do Zé Pedro, é dupla.

Morreu o músico e morreu o fundador da banda que nos ligava, a mim e à minha mãe.

Hoje, não vou pôr A Casinha. Vou postar o Para Sempre. Porque as memórias ficam comigo. E, quando um dia fôr velhinha, quero ligar-me à Internet e ler este texto e ouvir esta música e lembrar-me de dias felizes, que o eram sem que eu soubesse.


3 de novembro de 2017

In The End

It starts with one thing
I don't know why
It doesn't even matter how hard you try
Keep that in mind
I designed this rhyme
To explain in due time
All I know
Time is a valuable thing
Watch it fly by as the pendulum swings
Watch it count down to the end of the day
The clock ticks life away

It's so unreal
Didn't look out below
Watch the time go right out the window
Trying to hold on, but you didn't even know
Wasted it all just to watch you go
I kept everything inside
And even though I tried, it all fell apart
What it meant to me
Will eventually be a memory of a time when

I tried so hard
And got so far
But in the end
It doesn't even matter
I had to fall
To lose it all
But in the end
It doesn't even matter

One thing, I don't know why
It doesn't even matter how hard you try
Keep that in mind
I designed this rhyme
To remind myself of a time when
I tried so hard
In spite of the way you were mocking me
Acting like I was part of your property
Remembering all the times you fought with me
I'm surprised it got so
Things aren't the way they were before
You wouldn't even recognize me anymore
Not that you knew me back then
But it all comes back to me in the end
You kept everything inside
And even though I tried, it all fell apart
What it meant to me will eventually be a memory of a time when

I tried so hard
And got so far
But in the end
It doesn't even matter
I had to fall
To lose it all
But in the end
It doesn't even matter

I've put my trust in you
Pushed as far as I can go
For all this
There's only one thing you should know
I've put my trust in you
Pushed as far as I can go
For all this
There's only one thing you should know

I tried so hard
And got so far
But in the end
It doesn't even matter
I had to fall
To lose it all
But in the end
It doesn't even matter


30 de outubro de 2017

Como explicar a morte a uma criança?

A morte da minha mãe foi um momento crucial para mim - tal como será, certamente, a morte de um ente amado, para qualquer pessoa que me leia.
As enfermeiras - ao longo dos dias - iam-nos dizendo para nos prepararmos para o pior.

"Como é que alguém se prepara para a morte? E mais: para a morte da própria mãe?", perguntava eu. É impossível. Não há preparação possível. Há um processo de mentalização e pouco mais.

E depois, avistava outra questão fundamental: como vou contar ao Henrique que a avó morreu? A avó com quem ele dormia sempre que a visitávamos?
Como explicar a morte a uma criança de 4 anos que ainda nem sequer consegue perceber esse conceito? Se, nem eu - no alto dos meus 34 anos - consigo processar, como fazer uma criança entender? Li algumas coisas. Simplificar, responder às perguntas da forma mais clara possível... e atenção: as crianças são imprevisíveis e poderão aceitar melhor do que se espera.

Não sou psicóloga. Não tenho formação com crianças. A única coisa que tinha é o meu tacto de mãe.

A minha mãe morreu a uma 5.ª feira. O funeral foi na 6.ª e eu estava um caco. O Henrique tinha passado 5 dias em casa dos avós paternos - o maior número de dias separado de mim, desde sempre. Ele começava a escolinha na 2.ª feira. Falei com a educadora dele. Havíamos combinado que só diríamos mais tarde, para ele passar - sem sobressaltos - a primeira semana de escola. No sábado seguinte, durante a tarde, foi o momento.

Usei a minha educação cristã, para embelezar um pouco a coisa.

"A avó São estava, como tu sabes, muito doente. Então, foi ficando cada vez mais fraquinha e mais fraquinha e morreu. Agora, ela é quase como uma estrela... é o teu anjo da guarda. Lembras-te quando te ensinei a oração do anjunho? Anjinho da Guarda / Minha companhia / Guarda a minha alminha / De noite e de dia... - quer dizer, que, agora, a avó São vai estar sempre sempre a tomar conta de ti. Vai ser o nosso anjo mais especial!"

Expliquei que me iria ver triste e, se calhar, a chorar um pouco, mas que não se preocupasse, porque eram só saudades.
Inicialmente, riu-se. Ouve tantas vezes o pai a dizer que "morreu" na Playstation que a morte, para ele, deveria resolver-se com um revive de um parceiro de equipa.

"Percebes, filho, o que a mamã está a dizer? Quando formos a casa da avó, ela já não vai estar lá. Nunca mais. Só o avô e os tios".

À noite, a coisa "bateu-lhe". Começou a fazer perguntas:
- se a avó estava fraquinha, porque não comeu mais comida para ficar forte, mamã? Dizes sempre que a comida nos deixa mais fortes e com energia...
- porque é que a avó morreu?
- agora quem vai brincar comigo ao jogo da pesca?
- se tu morreres, quem toma conta de mim?
- e se eu morrer...?

Perguntas em catadupa que me fizeram engolir em seco, tentar abafar o meu próprio desgosto e explicar o melhor que podia, de maneira satisfatória.

Acho que entendeu. Hoje, já dois meses praticamente volvidos, de quando em quando, dá-me um beijo e um abraço, assim do nada: "para não ficares mais triste, mamã, porque a avó morreu!".


27 de outubro de 2017

Aprender sem ti, Mãe!

(Tenho o Henrique a dormir tranquilamente ao meu lado. 
É a tranquilidade dele que me vai acalmando, em certa medida)

Estas duas últimas semanas têm sido portentosas. Demasiadas memórias, o aproximar dos dois meses sem a minha mãe... a pedra tumular que foi colocada hoje. Escolher a pedra já tinha sido uma tarefa hercúlea, mas vê-la colocada... foi uma verdadeira chapada de realidade.

Estão quase a passar dois meses e ainda tenho - várias vezes - o reflexo de pegar no telefone e ligar-lhe. Fico com um aperto que vai da garganta ao peito, quando me apercebo do que acabei de tentar fazer... a voz dela fica a ecoar no meu cérebro durante um bocado e perco, por momento, as energias. Sento-me, depois molho a cara... e sigo!

Incrível como estes quase dois meses têm sido quase uma aprendizagem.

Uma mãe veste-nos, alimenta-nos, ensina-nos os primeiros passos e as primeiras palavras... e agora? Quando a nossa referência desaparece? Eu não sou só a Cristina. Eu sou a mãe do Henrique. Eu sou a filha da São e do Vitor, mas agora sem São. Qual é a minha identidade sem a pessoa que me deu a identidade? Sem aquela que me ensinou a andar, quais são os meus próximos passos? É isto que tenho de aprender; aprender a guiar-me sem a mão dela na minha mão..

Façam-me um favor: desliguem o computador, agora, e vão abraçar as vossas mães. Dava tudo para o puder voltar a fazer.


19 de outubro de 2017

Os pais (também) são seres que nos são emprestados

José Saramago escreveu um dia:
"Filho é um ser que nos foi emprestado para um curso intensivo de como amar alguém além de nós mesmos, de como mudar nossos piores defeitos para darmos os melhores exemplos e de aprendermos a ter coragem. Isso mesmo! Ser pai ou mãe é o maior ato de coragem que alguém pode ter, porque é expor-se a todo o tipo de dor, principalmente o da incerteza de agir corretamente e do medo de perder algo tão amado. Perder? Como? Não é nosso, recordam-se? Foi apenas um empréstimo."

E com os pais passa-se o mesmo. Esperamos deles que nos alimentem, nos vistam e nos eduquem. Que nos amem. Que nos ensinem. Que nos beijem e nos castiguem. Mas, no fim, quando já adultos, percebemos que isto de ser filho não é tão linear assim. Que, afinal, os pais não vão ficar sempre ali para nos amparar.

A minha vida - e a do meu irmão - sofreu um revés. Um enorme revés. O maior deles todos: perdemos a nossa melhor amiga. A nossa confidente. A mulher das nossas vidas.

E tudo me lembra ela. As caixas de plástico que ela enviou com comida e nunca foram devolvidas. As roupas que visto ao Kiko e que foi ela que ofereceu. As roupas para o miúdo que ainda tenho guardadas (porque eram grandes) que foi ela que deu. Abrir o congelador e encontrar lá coisas que ela mandou. Ou abrir uma gaveta e encontrar o postal de Natal com a letra dela.

Todos os dias choro. Choro quando se aproximam as horas em que lhe ligava. Choro quando vejo uma foto dela. Choro quando me lembro dela, do sorriso, da voz e choro, choro, choro...

A dor de perder a mãe não tem comparação. É que não é só perder a mãe. É perder o porto seguro, é perder o pé na piscina e não conseguir vir ao de cima. Ser filho... também é um ato de coragem! E ninguém nos prepara para isto!



17 de outubro de 2017

Odeio 2017

A minha mãe morreu. Às 06h00 do dia 31 de agosto, tornando, assim, 2017, oficialmente, o pior ano de toda a minha vida.
A dor que trago em mim é tão esmagadora que estive, até ao dia de hoje, a pensar se havia de voltar a escrever, ou se deixava definhar os blogues.

Mas como me disseram, escrever ajuda-me a libertar a alma.

Não é fácil lidar com a morte. Não é fácil lidar com a morte de um pai - especialmente, daquele que nos trouxe ao mundo, limpou-nos o rabo, mudou-nos a fralda, nos velava quando adoecíamos, dava beijos nos dói-dóis, nos escutava, nos amparava... a minha mãe era isto e muito mais.

A dor que trago é tão grande que não existem, no mundo, medidas suficientes para a contabilizar. Tenho vindo, lentamente, a perceber que não há como lidar com a dor da perda. Aprendi sim, a adaptá-la aos dias. A encaixá-la nos momentos "mortos" do dia.
A tristeza, a amargura, a raiva... não desaparecem. Creio que, dificilmente, desaparecerão.

Continuo a chorar, enquanto escrevo estas linhas. Sei que as lágrimas não ma devolverão. Sei que ela odiaria ver-me assim, mas é tão mais forte do que eu.
Quando desligo o chip de "filha" e ligo o chip de "mãe", as lágrimas páram. O Henrique merece ter a mãe a 100% para ele. E, isto, aprendi com a melhor!


19 de agosto de 2017

'Tadinho do bloguezinho da sua mãe

Em muitos dos meus dias, penso no Estrelices. Não é um pensamento constante, nem coerente... nuns dias penso que deveria voltar a escrever; em outros, penso em acabar de vez com isto; depois, penso que deveria fazer ao blogue, aquilo que defendo para o Planeta Terra - implodir esta porra de uma vez só, e começar de novo. 
Mas, penso naquilo que me fez criar o blogue, e vejo-o como a minha primeira grande criação, e como sou daquelas pessoas que gosta de guardar até o cotão, por razões emocionais, cá o vou mantendo. De quando em quando, dou-lhe uma golfada de oxigénio para que não se extinga de uma vez. 

Sempre que me ausento, a razão é sempre a mesma: como ganho a vida a escrever, "canso-me" de escrever por recreação, só porque sim... e, nos últimos tempos, há coisas que não têm andado famosas, o que leva a exaustão a um patamar completamente diferente. 

Nem sequer as piadolas do Henrique me têm feito abrir o Blogger. 

Não vos contei aquela vez em que ralhei com ele e, 
num desabafo, disse: 
"Poças... não há quem te ature!". 
A resposta do cavalheiro: 
"se eu tivesse um irmão, não tinhas de me aturar!". 
BANG. Henrique - estratosférico vs Mãe - 0.

A necessidade de parar para reorganizar a mente (e a vida!) é urgente! Voltarei em Setembro - até lá, o meu cérebro está a banhos. 


 

(c)2009 Estrelices. Based in Wordpress by wpthemesfree Created by Templates for Blogger