13 de julho de 2009

Pesquisa antropológica II

Uma coisa boa das saídas nocturnas com as amigas é que se a noite estiver propícia temos tempo e temas mais que suficientes para comentar. Não me estou a fazer de 'snob', mas a verdade é que todas aquelas criancinhas que vi na sexta-feira à noite tinham ligado o botão 'on' do despropositado, antes de saírem de casa.

E outra coisa que me faz alguma impressão é ver pessoas já sem idade para fazerem tristes figuras, a fazerem-na.Adultos, cujos melhores amigos são um grupo de adolescentes com saltos agulha de 15 centímetros e decotes até ao umbigo, mas que não disfarçam as borbulhas no rosto.

Relativamente a isto, sempre fui um bocado crítica, porque não consigo perceber como é que alguém se consegue divertir com dores nos pés. Sapatos altos sim... sou a favor! Adoro-os, calço-os, tenho uns quantos, mas para ir dançar... not!

Mas o que me chateia a sério são aqueles indivíduos que não sabem distinguir quem são as mulheres que andam na noite para o engate e aquelas que só estam na noite para se divertirem um bocado. Porque, no fim, quem anda só para dançar, beber qualquer coisa fresca, rir... acaba por se irritar! Ou por gozar o pratinho, como é o caso.

As saídas à noite devem ser encaradas como estudos antropológicos. Quase como embrenhar na profundeza da selva.

9 estrelinhas:

Maldonado disse...

"As saídas à noite devem ser encaradas como estudos antropológicos. Quase como embrenhar na profundeza da selva."

Exacto. É como se fosse uma viagem ao coração das trevas (Joseph Conrad) ou um Apocalypse Now... :))
Para alguns são expedições punitivas. :)

Abobrinha disse...

Desculpa, mas este post pareceu-me um bocadinho moralista. Posso estar enganada, mas foi o que me pareceu.

Quem quer estar, está e acabou! Com ou sem sapatos, com ou sem borbulhas. Desde que não me chateie, eu fico na minha. Do engate, digo o mesmo.

Luis Carvalho disse...

Interessante proposta para o estudo da sociedade Portuguesa que sai à noite. A tua análise despertou em mim uma outra questão. Como avaliar a subjectividade do observador (neste caso a Cristina) em todo o processo de análise?
Não quero com isto dizer que não faças uma análise subjectiva, afinal o blog é um espaço pessoal. Só estou interessado em saber, que fracção desta irritação ou "gozo do pratinho" advém da situação em si ou da tua interpretação da realidade..

Abraços...

Cristina disse...

Maldonado, ou de forma mais engraçada... :P

Abobrinha, disse que não estava a ser snob, mas talvez esteja a ser demasiado crítica ou moralista como disseste... sinceramente, não me vou preocupar com isso. A verdade é que se um terço dos pais soubessem como é que aqueles miúdos se comporta fora das 4 paredes, as noites eram compostas somente por pessoas com mais de 18 anos.

Luís Carvalho, andavas desaparecido. Talvez, eu tivesse sido igualmente criticada por pessoas presentes no espaço a que fui na última sexta-feira. Quando eu tinha 13/14/15 anos como muitos dos que lá estavam, divertia-me, brincava, dançava... mas sem cair no ridículo. Um exemplo: um rapazinho (ignoro a idade), no meio da rua, tentava beijar o pescoço de todas as raparigas que tinham o azar de passar por perto. É normal? Não creio... Outro exemplo: uma menina, 13 anos (máximo), com um cinto vestido, saltos de 10 cm... é normal? Não creio. Devo ser muito antiquada ou preconceituosa... uma das duas.

Beijooossss

sessaoexperimental disse...

deixai-os divertirem-se senhores!! ahahahah

é por essa e por outras que so frequento locais com freacks ou "gente do mal" muhahahah

;)

Cristina disse...

Calvin, que, diga-se de passagem, acabam por ser muito mais 'normais' que muitos 'normais' que andam para aí... hahaha

Beijinho

Luis Carvalho disse...

É verdade, andava desaparecido...

Quanto ao facto de as situações que descreves serem ou não normais, não tenho uma resposta concreta para te dar. Mas tenho um exemplo.

Um tio, que nunca cheguei a conhecer, corriam os loucos anos 70, resolveu dar um salto para Amesterdão... Ai encontrou uma sociedade muito diferente da de Portugal. Então decidiu experimentar a libertinagem de uma capital europeia fulgurante em "experiências antropológicas"... Psico-trópicos, relações sem protecção etc etc...

Ora bem.. pelas histórias que a minha família conta deste tio, os rapazinho que tentava dar beijos no pescoço das meninas parece-me ridículo e nada extravagante.. Estamos hoje em 2009 e não em 1971...

Quero com isto dizer que a normalidade só é válida num determinado período de tempo. Não chamaria de antiquadas ás observações que fazes, até porque concordo com elas. Mas sou da opinião que caímos muitas vezes no erro de achar que normal era o "nosso tempo" ou de fixar o conceito de normal. Normal é relativo e móvel...

Daí a minha pergunta inicial, que fracção das nossas "antiquadas" observações são derivadas do nosso conceito de normalidade e que fracção são efectivamente mudanças dos tempos... Humm.. cada vez me confundo mais...LOL

Abraços

xica disse...

Sei bem quem iria concordar contigo! Um tal R. Vieira e J. Trindade, se bem te recordas. Antropologia é com eles e saídas à noite também, principalmente nas semanas académicas e no então frequentado terreiro (pelo que sei, agora as paragens são outras). "Então por aqui prof.??" | "Sim, sim, andamos a fazer um estudo, Antropológico!!!" "SIM SIM, sem dúvida!!!" :-)

Sadeek disse...

É por estas e por outras minha amiga é que eu fico em casa....a fazer meninos...ou a ver novelas da TVI...ou a fazer palavras cruzadas.....AHAHAH

 

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