6 de agosto de 2007

Tita

Quando a vi pela primeira vez, estava escondida debaixo de uma mesa. Só consegui ver aqueles olhos azuis a fixar-me. Aproximei-me. Levei uma unhada. Chamei-lhe um nome feio... mas ao mesmo tempo comecei a chamá-la. "Ela é surda!"... "Ó diabo! Como se chama uma gata surda?!"... Por gestos!

Tornou-se minha parceira de estudos. Não se dava bem com o Simba, nem com qualquer outro cão ou gato das redondezas. Pura e simplesmente, a melhor gata de guarda que alguma vez vi. Para ela, o futebol não tem segredos.

Quando o Simba morreu (um querido vizinho atingiu-o com uma foice... sim, tenho vizinhos, altamente, recomendáveis!), ela tornou-se dona e senhora do colo, dos mimos e das guloseimas dos donos. Aliás, ela tornou-se dona dos donos. E ai de quem a contrariasse!!

Há uns meses, levou uma pancada... corremos para o veterinário. Eu e a minha mãe revezávamo-nos, à noite, para lhe dar a medicação, até porque tinha de ser dada com leite, e leite nunca foi com ela. Contrariando os prognósticos do veterinário, ela sobreviveu. Quando a voltámos a ver a correr atrás do cachorro da vizinha, sorrimos: "A Tita já está rija!".

Até hoje... no sábado, não estava com bom ar. "É do calor!"... metemo-la ao pé da ventoinha e parecia mais satisfeita. Hoje, foi o último dia de vida da minha Tita. Os olhitos azuis dela já não me vão olhar de raiva quando lhe molhar o focinho, ou lhe soprar nos bigodes...

Estou triste!

Fotos: grande plano da Tita e nós a vermos o Portugal x Inglaterra do Mundial de 2006.

16 estrelinhas:

Ana Margarido disse...

É muito muito triste perdermos o olhar terno, as cócegas dos seus bigodes, a língua áspera a arranhar-nos a cara....

Infelizmente, também passei por isso há pouco tempo, com o meu Laranja. O melhor que podes fazer é nunca te esqueceres dela.

Beijinhos,
Ana

Cristina disse...

Ai Ana... aquele acordar de manhã com um "ronron" ao pé dos ouvidos e o peso suave em cima das minhas costas... ou então, a versão mais "hardcore": acordar de manhã, com ela em cima da minha cabeça, a morder, furiosamente, os meus cabelos... nunca me esquecerei!

Sol da meia noite disse...

Percebi que perdeste uma grande "amiga"...

Também eu já tive perdas assim e entendo-te. Parece que o nosso mundo fica um tanto vazio...

Um beijinho!
Muitos raios do meu Sol!!!

Cristina disse...

Sol da Meia Noite, sim, um vazio imenso. Até porque ainda há pêlos dela espalhados por toda a casa. Mas isto passa... obrigada! Beijinho

Ele há horas assim... disse...

Cris,
Quando passamos a ter um animal de estimação, vamos-nos afeiçoando progressivamente ao bichano...
E a afeição é de tal forma que, passa a ser mais um elemento da família. Por isso, quando esse animal de estimação nos deixa, fica um vazio e uma dor comparável à perda de um familiar...

O melhor que terás a fazer será arranjar já de imediato um novo animal de estimação. Caso contrário, irás sentir muita falta da Tita...

Um beijinho grande...!

João Cordeiro disse...

É a tristeza de perder um "verdadeiro" amigo.
Não existem palavras de conforto.
Eu tenho um "amigo" já com 11 anos e não sei como irá ser quando a hora chegar.


Beijnho

veritas disse...

Compreendo, tenho também uma história com o meu gato. A primeira vez que o vi estava debaixo do carro, era pequenino, tinha sido abandonado e atropelado, pois tinha uma pata com uma fractura exposta. Convenci o meu marido a levá-lo ao veterinário e a ficarmos com ele. Hoje, é um companheiro espectacular...

Bjs. Boa semana.

Lusófona disse...

Querida Cristina!!!

Eu também já tive um gato, e o adorava.... fiquei dias, meses a ouvir o seu miado e qdo lembrava que ele não mais estava ali... foi muito difícil..

Hoje tenho um cão lindo, e respondendo a tua pergunta, ele portou-se lindamente =)

Sobre o vizinho nem vou comentar...ninguém merece ter um vizinho assim...

Espero que consigas ultrapassar esta fase da melhor maneira possível.

Beijinhos e fica bem

Cristina disse...

Horas, eu sei o que é passar por isto... não é a 1.ª vez, mas não evito ficar tristíssima. Mas isto passa.

João, a 1.ª vez que fiquei sem o meu bichinho de estimação foi horrível. Era uma cadela enorme que me acompanhava desde os 6 anos... eu tinha 18 quando ela morreu. 12 anos de vida comum. Foi um choque vê-la. Nunca mais esqueço esse dia.

Veritas, aproveita cada segundinho com o teu amigão. Como eu fiz com a Tita... brincávamos até não puder mais! Acho que aproveitávamos bem os momentos juntas.

Cristina disse...

Lusófona, ele tem um focinho adorável... se eu não tivesse algum receio de cães grandes, tinha imensos. Há pessoas más e sem coração, e se às vezes, há quem faça mal a um filho, imagina o que não fará a um animal.
Vou ultrapassar, sim... é só uma fase! Obrigada e um beijinho

Alexandre disse...

Uma história que me deixou muito triste também! Há animais que são mais pessoas que animais e que marcam a nossa vida!

É indissociável vivermos separados de alguns animais, e então quando são gatos ou cães fazem parte de nós...

A maneira como conseguiste contar estes episódios fazem do teu texto um dos mais bonitos que já escreveste. Muitos beijinhos!!!

Ana Rita disse...

Comoveste-me cristina,também perdi a cadela-mais-espectacular-que-conheci até-hoje,e sofri que nem uma doida!
beijinho

Dark disse...

É muito triste quando isso acontece. Também já me aconteceu algumas vezes e, em todas elas, a dor foi grande...

Força! :)

*

Cristina disse...

Alexandre, uma vez ouvi uma frase "Quanto mais conheço o Homem, mais prefiro os animais!". Vai de encontro ao que disseste. E felizmente, cá em casa todos partilhamos o mesmo sentimento no que toca aos animais. Obrigada! Beijinhos

Ana Rita, é inevitável sofrermos. Pensamos "para a próxima, não é assim", mas estes bichinhos prendem-nos de uma forma incrível. Beijinhos e obrigada pela visita!

Dark, e vamos continuar a sofrer. Os amantes de animais estão sempre "condenados" a isso. Beijinhos

Lusófona disse...

Linda, tens um miminho lá no meu cantinho :)

Beijinhos

LipGloss disse...

Miga... sinto a tua tristeza...e por mais que não queira pensar nisso, é um facto da vida mas tenho tanto medo dessa "hora" ... ai o meu Gui...o meu mais que tudo...mas não posso pensar nisso, ele ainda só tem 3 anos e vai, com a graça dos deuses, viver ainda muitos anos ao meu lado...
Um abraço bem forte...
Se precisares de algo, conta comigo.
Bjinhos

 

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