3 de agosto de 2007

Cuba

Confesso que sempre tive um grande fascínio por Cuba, por Fidel e, obviamente, por "Che" Guevara.

Ontem, vi na RTP, a reportagem "Hasta Cuando?", feito pela jornalista Sandra Felgueiras (reportagem) e Bruno de Jesus (imagem) em Cuba. Foi descrita a Cuba para lá daquilo que os turistas vêem, foi feito um retrato da Cuba em que as pessoas trabalham toda uma vida e não conseguem sequer comprar um carro... em 2003, cerca de 75 pessoas saíram de manhã e desapareceram. Foram presos. A acusação? Venda de informações aos EUA. Quem eram as 75 pessoas? Eram jornalistas, professores... pertenciam a diversos movimentos de oposição e foram calados pelo Governo. Em Cuba, ninguém poderá ler este meu texto... a Internet é um privilégio das elites.

Uma professora que necessita do dinheiro enviado pelos familiares, a residir nos EUA, para sobreviver - o cúmulo da ironia!

A última imagem da reportagem é a de uma mulher de 32 anos, que nunca saiu de Cuba e que todos os dias vai tentar a sua sorte para obter um visto para os EUA e ir para junto da família. Uma mulher que sorriu quando lhe perguntaram porque queria sair de Cuba "Para ir ter com a minha família e por outras razões..." "Não podes dizer quais?" "Não!". Novo sorriso, num olhar triste.

Seria esta a Cuba que Ernesto "Che" Guevara imaginou?
Haverá Cuba para além de Fidel?

10 estrelinhas:

Ele há horas assim... disse...

Também vi...
A minha namorada já começou a pensar duas vezes acerca de irmos lá em finais de Setembro. Ficou um pouco chocada com a realidade daquele povo. Fui eu que a chamei ontem à noite e disse-lhe para ver este documentário...

Mas para os turistas não há grande problema. Desde que não se ponham a gritar palavras de ordem contra os Castro...

O único problema que poderá haver é a nossa estadia coincidir com uma eventual morte de Fidel. Aí, os ânimos poderão estar um pouco mais...exaltados!! Mas era azar a mais isso acontecer justamente quando estivermos lá...

;)

Eu depois prometo que relato a minha estadia, um pouco à semelhança do que fiz, quando fui o mês passado a Porto Santo...

Beijokas grandes!!!

Manuel disse...

No ano passado estive lá.
Para mim foi o paraíso.
Apenas para mim e para todos os turistas que lá vão.
Eles vivem à custa dos seus visitantes (Nós!).

A miséria é evidente.
Saímos à rua e somos constantemente abordados.
A evolução dos carros parou há 20 anos.
Agora Cuba, é lindíssima.
Havana é uma cidade fantástica.

Eu voltava lá.

P.S: Também vi esse documentário.
Chocou-me, mas não me impressionou.

Beijo Cristina

Francisco disse...

Estrelinha:
Olha que o Che Guevara que os jovens idolatram hoje não era flor que se cheirasse. Não é o heroi romântico que foi criado com a foto de Alberto Korda, mas sim um revolucionário brutal e assassino.

Cristina disse...

Isso, Horas... mete veneno! Gosto muito de saber que andas a passear pela praia, enquanto que eu tenho de me contentar com S. Pedro de Moel. Mas fiquei com o estômago às voltas.

Manuel, também adorava lá ir, mas confesso que agora penso duas, três, quatro vezes...

Francisco... a imagem mítica do Che... pahhh... comparo-a um pouco à ideia que os miúdos pequenos têm do Pai Natal: é verdadeiro até que se prove o contrário. Os media fizeram de tudo para que o Che fosse idolatrado, e conseguiram! Mas isto agora dava pano para mangas. Até porque vi o filme "Os Diários de Che Guevara" e o herói revolucionário mostra-se um herói romântico. Se funcionou comigo, funcionou com muitas mais pessoas!

Miguel F. Carvalho disse...

quem se surpreendeu ou chocou com a reportagem é porque andou a dormir estes anos todos... toda a ente sabe como é que aquilo funciona, por um lado pelo regime existente e por outro (que não servirá de desculpa obviamente) pelo embargo económico da maior potência mundial...

tivessem os EUA acabado com o embargo e provavelmente já nem haveria Fidel no poder... mas aos EUA interessa-lhes ter inimigos para poderem justificar muita coisa...

agora, a reportagem abordou só uma faces da moeda... é lógico que existe repressão e perseguição ideológica, mas o País também tem coisas boas: a saúde é gratuita, a educação é gratuita, tem uma das melhores investigações médica do mundo, apesar dos fracos recursos... Cuba tem a maior comunidade de médicos espalhados pelo mundo inteiro (sobretudo países sub-desenvolvidos)... exporta médicos...

O problema é que se atribui a Cuba um papel no mundo que é infinitamente superior à sua real importância... fala-se muito em Cuba, mas não vejo documentários sobre Angola, Nigéria, Sudão (onde morrem milhares de pessoas mensalmente), Birmánia, Cambodja, Arábia Saudita,....

Criou-se um fascínio por Cuba ao longo dos anos porque foi o único país que conseguir resistir aos EUA...

M disse...

Cuba é terreno fértil, só que eles ainda não sabem...

Cristina disse...

Miguel, a reportagem abordou a questão da saúde e educação gratuitas. Falou das coisas boas... que apesar de tudo não "cobrem" as coisas más. Não foi um caso de andar a dormir, como tu próprio disseste, é a velha questão de ignorar um pouco o que se passa no outro lado do Oceano. Sentimo-nos melhor se pura e simplesmente, optarmos por esquecer que, daquele lado, existem mais pessoas para além dos gerentes dos hotéis cubanos.

M, nem mais... ou se calhar até sabem, mas abafam.

Francisco disse...

Gostava de meter uma "bucha" neste tópico, essencialmente para concordar com o meu homónimo Francisco:

Cada um acredita no que quer, até mesmo que o Che (esse das T-Shirt's...) foi um herói. Deve ser muito "fixe" ir a uma festa do Avante com uma t-shirt do "comandante"... Só não percebo porque é que t-shirts com as figuras de Staline, Hitler e outros assassinos (estes sim, condenados pela história) não tiveram muita saída... Há coisas fantásticas, não há? É incrível como se consegue fazer de um assassino uma figura "romântica" (ou romantizada). Francisco, estou contigo.

Cristina, essa comparação do Che com o Pai Natal foi a mais infeliz que vi até hoje... Mas todos temos o direito a esses momentos.

Cristina disse...

Sim, Francisco, há dias assim... infleizmente!

Lusófona disse...

Oi Cristina!!

Também vi a reportagem.
E sempre soube o tanto que aquele povo sofre. Fidel é um ditador carrasco e cruel.

As pessoas só têm acesso ao que ele permite e olha que não é muita coisa... saúde e educação, pelo menos isso ,né?!!

Espero que depois de Fidel, tudo seja diferente, espero que o povo não se deixe dominar por mais muito tempo, espero que possa existir alguém que mude a vida dos cubanos e lhes dê a oportunidade de viver.

Beijinhos querida

 

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