9 de outubro de 2006

Barreiras e barreiras

Desta vez a minha postagem vai ser sobre um tema sério: a hiperactividade.

No meu grupo de miúdos, no Escutismo, tenho um garoto com cerca de 12 anos que é hiperactivo. É complicado lidar com esta situação tendo em consideração que não tenho qualquer tipo de preparação para conseguir trabalhar com ele. Aliás, essa foi uma das razões a que levou os pais a colocá-lo nos escuteiros: para ver se ele acalmava.

Trabalhámos juntos no ano passado - digo no ano de 2005/06 - e mesmo com a ajuda do Sérgio, que o conhece de bebé, as coisas não foram propriamente um mar de rosas. Ele obedecia, cegamente, todas as ordens que o Sérgio lhe desse, mas comigo era diferente. Este ano - 2006/07 - o "sô" Sérgio vai entrar num período de maior calmaria no que toca aos escuteiros e eu fico como Chefe de Unidade; todas as decisões têm de passar primeiro por mim. Sinto que o miúdo me vai pôr a cabeça em água...

Ando a fazer os "trabalhos de casa": comecei a pesquisar umas coisas na Internet sobre o Défice de Atenção e sobre a hiperactividade, sobre as melhores formas de lidar com crianças que sofrem deste distúrbio, mas será que é suficiente?? Sei que não é... mas vou fazer todos os possíveis para que as coisas corram bem para todos.

Este fim-de-semana, e a propósito deste miúdo, fizeram-me uma pergunta curiosa: será que o Agrupamento está preparado para receber crianças com deficiências? Não... foi a minha resposta lacónica! Deixou-me a pensar que, efectivamente, uma Associação com base em princípios de igualdade e de não-discriminação, não esteja preparada, em termos arquitectónicos para receber uma criança em cadeira de rodas: as portas são estreitas, temos escadas e a entrada não tem uma simples rampa... pequenas coisas que, para qualquer um de nós são “favas contadas”, mas que representam barreiras intransponíveis para um jovem com dificuldades de mobilidade. Lembro-me, vagamente, de termos tido uma criança com dificuldades, há uns anos, mas o caso era “diferente”. Essa criança, cujo nome confesso que não me recordo, tinha deficiências a nível mental e a Chefe responsável pelo grupo era (e ainda é) uma mãe extremosa e empregou todos os seus esforços para que essa criança se integrasse. Passado um ano saiu... os pais ficavam muito preocupados com ela sempre que havia acampamentos. Foi um teste a nós, enquanto Agrupamento, e julgo que passámos com distinção.

Com este catraio tudo é diferente...mas a ver vamos – já dizia o cego!

2 estrelinhas:

Alexandre disse...

Olá, gostei muito deste texto pois conheço pais e educadores que vivem no limite do stresse com filhos e crianças hiperactivas! Geralmente fujo dessas crianças pois não tenho jeito para lidar com elas, são muito exigentes e muito absorventes. Por isso compreendo o «castigo» que não será lidar com uma criança assim! E gostei do Blog! Muito interessante!

Alexandre disse...
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