21 de novembro de 2014

O meu nome é Henrique e faço tropelias

Eu sabia. Eu sabia. Eu sabia.

Eu sabia que dar os lápis de cor a este mini-gajo era assinar a minha própria sentença. Há poucas horas, estava na cozinha a lavar a loiça.
O Henrique vem ao pé de mim e começa a puxar-me. Sequei as mãos. Deu-me a mão e levou-me para a sala.
Com um dedito espetado, aponta para uma das mesinhas de apoio e solta um "ohhhh", muito surpreendido.

Metade da mesa estava, artisticamente, decorada com uns quantos riscos a verde. O ar do Henrique era uma mistura de "cheguei aqui e isto estava assim, imagina só, mamã!" e "não fui eu, mamã!".

Deve ter sido o vento, filhote, deve ter sido o vento... :)

A prova do crime... :)

18 de novembro de 2014

Este miúdo saiu-me cá um artista

O Henrique e eu descobrimos as maravilhas de uma folha A4 em branco, e de uma caixa de lápis de cor. Ele que se entretém durante um bom bocado a rabiscar, e eu que sossego um bocado.

Tinha uma caixinha de lápis de cor que nos deram na Pizza Hut há uns meses, e agora que o Henrique está mais "crescido", achei que lhos podia dar. Os lápis são pequeninos e ele agarrava neles com alguma dificuldade.

Lembrei-me então que, certamente, alguma marca já teria pensado em fazer lápis para mãos com pouca destreza. Fiz uma pesquisinha, e vi que na Prénatal se vendiam lápis não tóxicos, laváveis e coiso e tal

Comprei uns maxi lápis da Giotto. 


E posso atestar que são mesmo laváveis. Já eliminei diversas "obras primas" das mesas, da cadeira de secretária do pai, do nariz, das mãos... 

Os lápis são super macios, a ponta colorida é de plástico e não é removível, e o próprio lápis não é de madeira susceptível de quebrar e de os pequenitos comerem farpas. E ainda traz uma afiadeira própria, porque se vissem os lápis iam perceber que muitooooo dificilmente iriam encontrar uma adequada. 

Digo-vos: produto aprovado.
Não são propriamente "em conta", mas vale a pena a compra, pelos benefícios que descrevi. 

17 de novembro de 2014

Dia da Mundial Prematuridade


Poucos dias após a Gui não conseguido mais lutar , depois ter nascido apenas com 25 semanas de gestação, assinala-se o Dia Mundial da Prematuridade.

Eu, sou de termo; o Henrique, idem. O meu irmão, não. O meu irmão, há 20 e muitos anos, foi um bebé prematuro. Tinha 4 anos, e não me lembro de muito. Lembro-me de um bebé muito pequeno, e lembro-me de um primito, na altura, ter dito que o gato deles era maior que o bebé...

Das estórias que se contam, a minha mãe não estava à espera que o bebé nascesse naquela altura. Estava previsto para daí a um mês, sensivelmente.
Nasceu com o cordão ao pescoço, com dificuldades em respirar...

Lembro-me de me terem dito que, afinal era um mano, e não uma mana como tinha "chutado" a única ecografia que a minha mãe fez durante a gravidez.
Lembro-me do dia em que veio para casa.
E lembro-me que, a partir daí, me tornei a guardiã daquele bebé.

Sei que ninguém, ou muito poucos, estão preparados para ter um prematuro em casa. Felizmente, que o meu irmão era um daqueles prematuros, ali a roçar o tempo completo; o que, findas as contas, não abalou muito o ritmo já estabelecido lá de casa.

Mas, a todas as Mães de prematuros: a força está ali ao virar da esquina! A vossa e a deles!

14 de novembro de 2014

As sestas

Aqui por casa, as sestas sempre foram um assunto delicado. Se, no início, o Henrique não dormia, depois aprendeu que uma sesta nunca matou ninguém.
Começou por três sestas - de manhã, depois de almoçar e depois do lanche. Depois, lentamente, cortámos a sesta depois do lanche. E agora, também aos poucos estou a tentar eliminar uma sesta, de preferência a da manhã, e fazer com que durma só depois de almoço.
Mas ainda temos dias em que faz duas sestinhas.

Mas, como dizia, o tema sesta sempre foi delicado. Tanto que ele, muitas vezes, continua a combater o sono. Ontem foi um desses dias.

Eu - Henrique, vá, vamos dormir uma sestinha.
Ele - Nhã nhã...
Eu - Henrique, vá... a mamã vai contigo!

Conclusão: aninhámo-nos os dois, deixei-o adormecer, saí de fininho... e ele esteve a dormir quase duas horas.

Entretanto, quando acordou, o nosso "diálogo" também foi interessante. Acordou, choramingou um niquinho, e fui ter com ele.

Eu - Olá filhote. Queres dormir mais um bocadinho? (vi que ele ainda não tinha aberto bem os olhos...)
Ele - Timmm
Eu - Ou queres iogurte?

Conclusão: à menção de comida, levantou-se em três tempos. Tanto sono, tanto sono e é isto!

13 de novembro de 2014

Como entreter um bebé crescido num dia de chuva?

Às vezes... aliás, muitas vezes, torna-se difícil entreter o miúdo em casa, sem ser com a televisão. O pirulito não se distrai, durante muito tempo, com os brinquedos, e uma pessoa - quer queira, quer não - cai no facilitismo do Canal Panda ou do Disney Junior.
No Verão, íamos passear até ao parque e lá encontrava outras crianças... o sarilho era trazê-lo de volta para casa, mas e agora no Inverno?!
Deixo-o brincar com todos os brinquedos dele, dou-lhe folhinhas para fazer "desenhos", brincamos às escondidas, mas nunca é o suficiente, porque ele aborrece-se facilmente de qualquer actividade.

Hoje, peguei em três rolinhos do papel higiénico, numa caixa de lápis de cera (que ainda não vão para as mãos do pequenitates, porque: 1.º partem-se com enorme facilidade e 2.º ele mete tudo na boca... já estou a imaginar o que daqui ia resultar) e desenhei umas caras nos rolos, peguei num pedaço de papel de alumínio e fi-la em bola.

E tcharannn: uma mini-equipa de futebol.


Ele adorou. Especialmente, a bola. Às duas por três, já a bola estava no chão e ele a tentar pontapeá-la.

Algo que também o entusiasmou - lá está, quando se cansou dos bonecos-rolos - foi pintar uns desenhos que imprimi da net. Dei-lhe uma caixa de lápis de cor, e dois bonecos do Donald e do Mickey e foi um descanso durante algum tempo. Não chateou, não pediu televisão, não fez disparates... mas não o consigo "enganar" todos os dias desta maneira.


E agora vem a questão: como fazem vocês para entreter crianças com 20 meses, em dias de chuva?

10 de novembro de 2014

Leituras infantis - quero sugestões!

A Senhora Rata Migalha, criação de Beatrix Potter
Em casa dos meus pais, sempre houve livros. Recordo-me de ver as estantes da sala cheias. Acho que foi o facto de ver a minha mãe a ler (muito!) que me fez ser também uma leitora ávida. Curiosamente, com o meu irmão, o mesmo não aconteceu. Não pela "lacuna" de livros "de rapazes", porque a minha mãe fazia questão de lhe comprar livros adequados... a verdade é que nunca esteve muito para aí virado.

Eu, em dias bons, sou capaz de ler um livro em pouco mais de 24 horas. Com o Henrique, é mais complicado, e passam-se semanas em que não pego num.

Mas é este frenesim que quero passar ao Henrique. E desde cedo, ainda durante a gravidez, comprei livros para ele. E, na dúvida, compramos mais um livro. Temos os mais baratinhos, comprados nos chineses, a uso; alguns, já divididos em dois, ou com capas já a desfazerem-se. E temos os outros, a Beatrix Potter e afins, numa estante, e são a leitura da noite.

Mas, dou por mim, a ler, repetidamente, as mesmas histórias da Senhora Rata Migalha, ou do Pinguim Henrique e do Coelho Tambor. Passo os olhos nas livrarias, e no meio do caos, só encontro livros, ou demasiado bebés, ou demasiado crescidos, com frases longas que o iriam aborrecer.

Alguém tem sugestões de uns livrinhos supimpas para refrescar as estantes do meu anãozinho?

9 de novembro de 2014

Dicionário do Henrique... ou a Crónica do "Deixem-me que eu falo quando me apetecer"

O Henrique ainda não fala. Palra que se desunha, "conversa" com os pequenitates da idade dele, mais novos e mais velhos, diz "mã-mã-mã", "papa" (meaning: comida), diz "nããã" e "tim" e pouco mais.

"Sabe" como diz a vaca e o pato... ando a ensinar-lhe como diz o lobo e o ratinho... ri-se quando faço o "miau" do gatinho e ignora o cão.
Fala que fala, ao telefone, e só diz "olá" ao Pocoyo.

Mas... recentemente, saiu-se com um "Pan Pan" e a novidade deste fim-de-semana é o "Mica". Os mais desatentos iriam pensar que se trata de mais uns sons próprios desta idade, mas Mãe é Mãe e percebo perfeitamente o que me quer dizer.

Pan Pan = Panda

Mica = Mickey

Para mais informações, dirijam-se ao guichet, preencham o formulário que a gerência dará resposta em tempo útil. Muito obrigada pela atenção!

[diz a médica de família para o estimularmos (check)... dizem os livros dos especialistas para não falarmos à bebé para o habituarmos à linguagem (check). SENHORES, nós fazemos isso tudo, o gajo é que não quer falar... nã me moiam! ;) ]



19 de outubro de 2014

Instinto de Mãe (ou uma crónica aberta a todos os - futuros - pais)

Imagem retirada daqui
Isto do instinto é uma coisa engraçada. Primeiramente, ouvimos falar do instinto em relação aos animais: o instinto de sobrevivência, o instinto animal...

Depois, mais tarde (muito mais tarde), quando somos mães, ouvimos falar do instinto maternal. Dizem os especialistas que isto do "instinto maternal" é aquilo que faz de nós "aptas" a ser Mães. Que ou se nasce com ele, ou não se nasce. Que traduz a sensibilidade ou a aspereza face ao mundo dos bebés.

Mal sabemos que estamos grávidas, ele desperta. Como um relógio suíço. Ou como o Big Ben - que nunca falhou.
Aliás, mesmo que não saibamos que estamos grávidas, há aquele "feeling", aquela sensação estranha que nos "diz" para ter cuidado, para abrir os olhos, que algo de diferente se passa... (no meu caso, foi o sono... mal sabia o meu corpinho aquilo que me esperava!).

Depois, durante os 9 meses (ou menos, em alguns casos)... é o dar uma carícia na barriga, é o falar com a barriga como se ela nos pudesse responder; é o empregar de um carinho inexplicável nas mais pequenas coisas.
E o bebé nasce. É o amor extravasado. É um amor para além dos limites do pensado. Já amávamos o bebé, mas agora é real: é um amor com rosto, com pézinhos e mãos, e com uns dedinhos minúsculos. É um amor com pelezinha enrugada, sem dentes e chorão... mas é o mais bonito do Mundo.

(diz que há Mães que olham para as criaturinhas e não ouvem os querubins a cantar salvas, nem sininhos ou violinos... calma... lá chegarão. Deixem o bebé olhar bem dentro dos vossos olhos, deixem-no tocar no vosso corpo, deixem-no mamar e toda uma orquestra sinfónica tocará!)

Durante a gravidez, li muito sobre a arte de ser Mãe. Li muito sobre o desenvolvimento do bebé, sobre as alterações ao nosso corpo. Li muito sobre como dar banho, como agir em caso de doença, como mudar fraldas, como vestir o bebé de acordo com as estações do ano.
Mas não li nada sobre como ser Mãe. O que raio iria fazer? E se o bebé chorasse e eu não soubesse porquê? Como é que ia pegar nele ao colo? E se ele se "desmontasse" nos meus braços? E, principalmente, pensei que estava lixada. Que me tinha metido na maior alhada da minha vida, e que não havia volta a dar.

Mas... ao fim de 19 meses... não é que tem resultado?! Uma Mãe sabe. Sabe quando é hora de mudar a fralda. Sabe distinguir um choro de fome, de um choro de cólicas, de um choro de aborrecimento... uma Mãe, simplesmente, sabe!

Não vou mentir: ter um bebé é assustador. Os (futuros) pais que não se sentirem assustados ou são parvos, ou não têm noção no que se meteram.
É um compromisso para a vida. Não é algo que podem devolver, escrever no livro de reclamações ou enviar cartinhas para a DECO e para a ANACOM. Mas é fantástico... basta sentirem. Basta abrirem o coração e seguirem o instinto (muito mais do que seguirem os milhões de palpites e sugestões que vos derem).

15 de outubro de 2014

Chegou o mau tempo! Ah, pois... e a febre também!

Já lá vão umas semaninhas em que não escrevi nada. O Henrique está a desenvolver-se lindamente, como  qualquer criança saudável e amada. E, hoje, dia 15 de Outubro faz 19 meses! Um crescido!

Estava tudooo a correr bem. O mau tempo chegou, e com ele, as nossas tardes de reclusão. Se "dantes", aproveitava as tardes de sol para ir com ele ao parque, brincar; agora tenho de inventar cenários de brincadeira em casa até à hora de jantar.

Mas, com o mau tempo, chegou também o primeiro stress da estação. O Henrique já esteve constipado. O Henrique já teve febres altas. O Henrique nunca teve manhãs em que acordou bem e que passado uma hora e meia estava com 39 de febre. Agora já teve!

Isto de ser mãe é muito engraçado, sim, mas - e acho que já disse isto - ninguém nos prepara para os ver debilitados.

No fim-de-semana, estava mesmo à porta dos meus pais (em Leiria), quando me apercebi que ele estava quente. A minha mãe desencantou um termómetro e nem o deixei terminar de medir a temperatura, mal vi que estava nos 39 graus.

Despir a criança, meter-lhe um ben-u-ron, e esperar pelo melhor... que chegou um bocadinho depois. Passadas 2 ou 3 horas, o mesmo cenário: febre alta, choro (mesmo muito choro!), só a querer o colo da mãe... liguei para a Saúde 24 que me confirmaram o que já desconfiava que o ben-u-ron que lhe tinha dado já não era eficaz para a idade e peso do Henrique (vejam lá que há mais de 6 meses que não lhe pegava).

Correr para a farmácia e rezar que estivesse aberta, senão tinha ainda de ir para Leiria (que isto de haver sempre farmácias abertas é coisa de gente da cidade!).
Tudo correu pelo melhor. Nova administração de ben-u-ron e o meu anãozinho lá espevitou.

A meio da noite, nova febre... compressas de água tépida, metade de um supositório (para não encharcar o pequenitates de químicos!), lá acalmou e lá consegui, eu também, descansar qualquer coisa.

Resumo: não aproveitei como queria o fim-de-semana, os meus pais, o meu irmão, a minha cunhada e a minha avó não aproveitaram o Henrique como queriam... e ainda leio os especialistas a dizerem que a mulher, após ser mãe, não se deve anular, nem ser dependente do(s) filho(s).

Claro, senhores especialistas, claro... agora vamos experimentar outra vez, mas com a certeza que os bebés (mais pequenos ou mais crescidinhos) não são imprevisíveis... pode ser? Dou-vos mais uma hipótese.

17 de setembro de 2014

Toma lá para não te armares em esperta

E é isto... depois ficamos dentro da maquineta, quietinhos. 
Por norma, sou sempre a 1.ª pessoa a aconselhar NUNCA ir à Internet procurar informações sobre doenças, já diagnosticadas por médicos. Geralmente, o doente não filtra as informações todas dadas pelo especialista, vai à net procurar mais, e o que encontra - e que mais uma vez, não filtra - são os extremos, e começa logo a pensar que vai bater a bota, instantaneamente.

Há uns meses, foi-me dito que teria de fazer uma ressonância magnética pélvica (RM). Os meses passaram, e na semana passada, ligaram-me do Hospital a informar que a RM estava agendada para 16 de Setembro, às 10h.
Aqui a boa da Cristina já tinha as instruções para o procedimento, e cumpriu-as, até que se lembrou de ir procurar como se procedia este exame.

O que encontrei foram coisas macabras.
Estranhas.
Descrições onde eram injectados todos os tipos de gel em tudo quanto era orifício corporal.
Pessoas que entravam em pânico claustrofóbico.
Coisinhas do arco da velha.
"Cruzes, credo...", pensei eu.

Para não panicar de todo, decidi fechar as janelas do Chrome, e tentar esquecer. Mas aquilo não me saía da cabeça. E vai de perguntar a pessoas da área médica como, efectivamente, o procedimento era realizado. Descansaram-me. Que nunca tinham ouvido falar em injecção de gel, absolutamente nenhum. Que a única "pica" era numa veia para introduzir o cateter para o contraste. Que me enfiavam num tubo barulhento.

Mesmo assim, na manhã (ontem, portanto!) só me vinham à mente as descrições tétricas. O meu lado racional estava a levar "quinje a jero!" ao lado imaginativo e sugestivo. Estava sozinha na sala de espera, o exame estava atrasado, em jejum há quase 12 horas... no momento da "pica" para o cateter, deu-me um fanico e ia desmaiando. Foi um "Ai, Jesus!" que só visto.
Conclusão: a enfermeira que estava comigo era uma querida e explicou-me o procedimento. Que era totalmente indolor. Que me iam aplicar o contraste através do cateter que ela própria ia inserir. Que teria de me despir, com excepção da cueca, e vestir uma bata. Que me iam meter dentro de um tubo. Que era muito barulhento, mas que me dariam uns headphones ou tampões para abafar o som.
E assim foi! Com a vantagem dos técnicos que me assistiram também serem uns porreiros.

Depois do dia passado, só pensava: "toma lá, Cristina Maria, para não te armares em esperta!". Façam o que eu digo, não façam o que eu faço: NUNCA procurem na net informações seja sobre procedimentos médicos, doenças, diagnósticos ou medicações... NUNCA, em ocasião alguma. Raramente se encontram os meios-termos, porque, na aflição, não conseguimos filtrar toda a informação que nos chega. Sejam sensatos. Fala quem sabe!
 

(c)2009 Estrelices. Based in Wordpress by wpthemesfree Created by Templates for Blogger