23 de março de 2013

Retalhos da vida de uma... MÃE!!!

E eis que, de repente, tudo muda. Entre a ideia que as nossas vidas mudam depois do nascimento de um filho e a vivência diária vai uma distância medonha.
Sabíamos que íamos sofrer uma mudança radical, mas continuamos a aprender e esforçamos-nos diariamente para lidar com esta miniatura que invadiu o nosso espaço.

Para terem uma ideia: apenas na 5.ª feira consegui sentar-me no sofá um pouco e ver televisão durante pouco mais de uma hora (e mesmo assim adormeci, por instantes, durante uma cena de guerra, sangue e esfaqueamentos na série "Spartacus").

No geral, o Henrique não é um bebé que dê muitos "problemas" durante o dia. O complicado, realmente, são as noites / madrugadas. É um castigo pô-lo a dormir depois de comer.
Chora, chora, chora, engasga-se, soluça, faz beicinho, quando pensamos que finalmente adormeceu, abre a pestana e recomeça a berraria. Os nossos vizinhos devem andar felicíssimos em ouvir os pulmões do meu filhotinho às tantas da madrugada... enquanto que eu ando toda grogue a trocar as horas da madrugada.
E é um fiteiro, senhores!!! As vezes que começa a "miar" até que alguém lhe pegue, para imediatamente parar, são dignas de nota... normalmente, o pai é que é a vítima. E depois é ver o pequenitates a olhar para o tecto como se nada fosse ou a fazer a expressão que apelidei de "tem alguma dignidade, pá!"

Ontem, o pirralho fez 1 semana de vida. E é um gozo olhar para ele e ver o quanto já mudou em apenas alguns dias. Se, na maternidade, estava cheio de manchas na cara e no corpo, agora já está mais "limpo" e a cara começa a arrendondar mais.

E é um gozo maior ainda olhar para ele e perceber que apesar das noites mal-dormidas, de fraldas trocadas em catadupa, de roupinhas trocadas a uma velocidade ainda maior, do choro incessante que se entranha no cérebro (e como se entranha!!!), das dores iniciais da amamentação, do desconforto dos pontos da cesariana... esta coisinha mágica é o meu filho!

E quem se consegue sentir mal quando olha para a sua própria criação?!


14 de março de 2013

Retalhos da vida de uma grávida: do que vou ter ou não saudades, depois de amanhã.

Henrique, olha a mãe na véspera de nasceres!!!
As hormonas são uma treta. É muito estrogénio a correr de um lado para o outro, nesta "altura do campeonato".

Daqui a cerca de 24 horas, a correr tudo dentro dos conformes, o Excelentíssimo Senhor Doutor Henrique João Duarte Vilela já terá dado os primeiros berros. E, caramba, já sinto a falta deste barrigão. "i num instante tudo muda!" era, há uns anos, o lema do lançamento de um dos nossos jornais diários. Encontram algo tão mais apropriado a este instante?

Num dia, estou grávida... cheia de "ais" e "uis", com dores nas costas, pés e mãos inchados, com uma barriga que nem sequer permite que cheguemos ao lavatório para lavar as mãos ou ver os pés e que alterou o nosso centro de gravidade.
No segundo seguinte, estou a marcar o dia para "perder" esta barriga com que lido há meses. É quase como implorar para me baterem. Ainda estou grávida e já sinto saudades de estar grávida.

Não vou sentir saudades dos enjoos e das corridas para a casa-de-banho. Não vou sentir saudades de ir fazer xixi todas as meias horas. Não vou sentir saudades de estar com azia. Não vou sentir saudades de não puder comer camarão, por exemplo. Ou presunto. Não vou sentir saudades das noites de insónia. Não vou sentir saudades das faltas de ar. Não vou sentir saudades de parecer um pinguim a andar. Não vou sentir saudades de estar sempre cansada.

Estas são as coisas que não vou sentir a falta.

Mas já sinto falta de ver a barriga a crescer um bocadinho todas as semanas, de sentir umas bolhinhas na barriga e depois uns pés, cotovelos, cabecinha e rabiosque a navegar à volta dela, de ver uns deditos enfiados na boca durante as ecografias, de ouvir as palavras-chave "está tudo bem!", "parece-me tudo normal!", "os resultados estão óptimos!", de ver a barriga a tremer, a remexer-se como se estivesse a acontecer um terramoto no meu organismo, de comprar roupinhas tão pequenas que serviriam à minha boneca Nancy, de ter prioridade nas filas de supermercado, do meu cabelo estar espectacular, de não ter borbulhas na cara, do fascínio que era saber como é que o bebé se desenvolvia semana-a-semana... e por aí fora.

São tantas as coisas que vou sentir a falta. E como.

12 de março de 2013

Carta ao meu filho que ainda não nasceu #05

Henrique, 

esta é a 5.ª e última carta que te escrevo. Hoje, lembrei-me de uma música do Sérgio Godinho, procurei a letra e "roubei-lhe" um pouco da poesia:

Enfim duma escolha faz-se um desafio
Enfrenta-se a vida de fio a pavio
Navega-se sem mar, sem vela ou navio
Bebe-se a coragem até dum copo vazio
E vem-nos à memória uma frase batida
Hoje é o primeiro dia do resto da tua vida

Terias de nascer. Sempre foi um dado adquirido. Os bebés nascem. Ponto final. Ciclo da vida e blábláblá...
Mas ter a consciência disso... a data marcada... o dia D à distância de meia dúzia de horas... é uma chapada que a realidade deu aqui aos teus pais, à bruta!

Nasces já na 6.ª feira. Percebes a violência da coisa?!

No domingo, quando o médico puxou da agenda - que na capa tinha escrito qualquer coisa como "Marcação de Cesarianas" - e procurou os dias 14 e 15, percorreu-me um friozinho pelas costas. Procurei a minha própria agenda, enervei-me por segundos por não encontrar a esferográfica e, a tremelicar, escrevi em letras maiúsculas no espaço do dia 15 CESARIANA - ESTAR NO HOSPITAL ÀS 8h30 (6h de jejum).

Depois de quase 9 meses em que foste só meu, depois de muitas queixinhas, depois de muitas caimbras, enjoos, azia, noites de insónia, pontapés nas costelas, idas à casa de banho todas as meias-horas, vou partilhar-te com o Mundo.
Estamos juntos há tanto tempo, já fazemos parte da vida um do outro há tanto tempo que me parece quase surreal que daqui a uns 3 dias estás nos meus braços.

Vamos ter de aprender a conviver juntos. Tenho de perceber quando tens fome, frio, sono, a fralda suja ou quando, simplesmente, me queres ao pé de ti. Isto tudo será tão novo para ti, como para mim e para o teu pai. Nesta fase, seremos todos bebés à procura de qualquer coisa.

Não sei se algum dia vais ler estas patetices de uma grávida com as hormonas todas malucas, mas quero que saibas que existes em mim. Desde sempre. Para sempre.



5 de março de 2013

Baby-post #15: Definitivamente CTG's não são com ele

A enfermeira bem tentou amenizar a coisa "ahhh, a maioria dos bebés não tolera muito bem quando a mãe está a fazer o CTG...", mas o Henrique não quer nem saber da "maioria dos bebés". Ele é ele e 'mai nada.

Quando a contracção começa a mostrar-se, é ver o coração do meu filhotinho a disparar e a chegar aos 190 batimentos e a máquina a disparar sons e luzes vermelhas a jacto. Desta vez, o meu excelso homem estava lá para mostrar ao filho como é que um homem reage: "Vá miúdo, calma!" e ele acalmava.

Não sei se é dos apertos em que ele está, se é da posição em que eu estou (confortável, diga-se de passagem!), se é o tempo que demora o procedimento ou  são os sons do alarme... mas aposto todas as minhas fichas nesta última hipótese (na última 4.ª feira, portou-se bem, porque os alarmes estavam na sala de enfermagem e não ao lado dele)

Domingo lá estaremos outra vez.

E as contracções? Elas cá andam... fininhas e atentas!

1 de março de 2013

Março é sinónimo de Henrique

Hoje é dia 1 de Março. E, para mim, desde Julho de 2012, Março começou por ser sinónimo de bebé, e de Henrique desde Janeiro último.

Março deixou de ser só o mês do nascimento da minha avó, e passa a ter um significado maior do que o caminho que vai daqui às estrelas.

Este ano, se tudo decorrer como penso, vou viver o Dia do Pai e o Dia da Mãe, com verdadeiro conhecimento de causa. Vamos viver estes dias, com o Henrique no colo, com o Henrique nos braços, com o Henrique a chorar ou a dormir.
Este ano, vamos começar a ser o pai e a mãe do Henrique, da mesma maneira que, daqui a uns anos, vamos perder a identidade e passaremos a ser conhecidos nos circuitos escolares apenas como os pais do Henrique.

Março é o mês da Primavera, das flores, do pólen no ar... e, para mim, é o melhor mês do ano.

(Imagem retirada daqui)

27 de fevereiro de 2013

Puto, eu sei onde é que tu moras!!!

Estou a frequentar um curso de preparação para o nascimento do Henrique. Estando em casa sem "ocupação" (a não ser as mini-tarefas diárias...), e sendo o curso gratuito, acho que optei pelo mais correcto.

Ensinam-nos a respirar, a fazer força na altura do parto... ensinam-nos exercícios e massagens para aliviar as contracções... dizem-nos o que levar para o bloco, para o internamento... mas não somos preparadas para passar horas da madrugada em branco, porque as nossas crianças magoam-nos.

Gosto de estar grávida. Gosto da ideia que durante estes meses, este filho é só meu, que não tenho de o partilhar com mais ninguém. A ideia de ter uma vida pequenina a crescer dentro da minha barriga é mágica! Como se de um truque se tratasse.
Adoro cada ecografia, mesmo que alguma imagens (perfeitamente nítidas para os médicos) me pareçam manchas de Rorschach. Mas sei que aquela área cinzenta grande no ecrã está viva, e que tem um coração poderosíssimo.

Mas as crianças magoam. Pontapés, cotoveladas, movimentações mais ou menos acrobáticas (e/ou malévolas) - tudo num T0 de um metro e cinquenta e cinco (eu, entenda-se!).
Sei que é sinal de vitalidade, mas acordar praticamente todos os dias, de madrugada, com as costelas a doer... isso não nos ensinam!
Aposto que, num destes dias, acordo com uma perfuração num pulmão, devido a uma costela partida. Calma, filho, falta pouco!


23 de fevereiro de 2013

Hoje... em modo "Clube dos 30"








19 de fevereiro de 2013

Baby-post #14: O Henrique e as CTG's

Imagem tirada daqui:
http://aestrelinhadesejadapat.blogspot.pt/
2008/02/consulta-1toque-e-ctg.html
Hoje fui a mais uma consulta. Estou agora na fase das visitas quinzenais ao doutor. E já me haviam prevenido que a partir das 36/37 semanas, iria começar a fazer uma CTG (cardiotocografia - ou seja, uma medição das contracções e do batimento cardíaco do pequeno ser) antes da consulta.

A boa da Cristina pensava que esta consulta - estou de 35 semanas e 2 dias, para os leigos, praticamente 8 meses -  ainda era das de rotina: pesar, ver a tensão, e "até para a próxima se Deus quiser!".

Perguntinha do costume: "como se sente?" e foi aqui que tudo mudou. "Ah e tal, hoje de manhã tinha a barriga algo dura e não sentia o bebé como habitualmente, ele que é um mexidão, tive de chatear para ele dar um ar da sua graça... fiquei na cama a descansar e agora estou bem".

Tive de fazer CTG. O médico disse que é normal começar a sentir contracções nesta altura. Umas indolores, chamadas de Braxton Hicks, que não são as de parto, mas umas que o corpo provoca para "treinar" para o grande dia.

Lá me acomodaram e começou aqui a parte gira da coisa. A verdade é que estava com as ditas contracções. E numa e outra altura, tive umas mais fortes que fizeram o coração do Henrique disparar e ele começar a mexer-se como se quisesse saltar dali para fora. E com o batimento cardíaco do pequeno a subir como uma flecha, a máquina começou a fazer barulho. E quanto mais barulho fazia, mais o coração do pequeno batia . Aquilo estava a enervá-lo, basicamente.

E eu a ver-me no papel mais estranho: por um lado, com vontade de rir, por a situação ser claramente de causa-efeito, e, por outro lado, estava a enervar-me o raio da maquineta não parar. Respiro fundo, e opto por falar com o bebé. "Vá, filhote... calma. Isto já passa. São só mais uns minutinhos pequeninos. A mamã tem de fazer isto".
E ele acalmou. E a máquina deixou de fazer barulho. E o coraçãozinho dele passou a bater normalmente. E parou de se mexer.

Nova contracção e o mesmo filme. Antes dele começar a enervar-se ainda mais, comecei a falar com ele, mal a máquina deu o 1.º alarme. Até que os 20 minutos acabaram.

Conclusão: o Henrique não gosta de CTG's, nem de barulhos manhosos. De sopa, sim. De CTG's, não.

14 de fevereiro de 2013

Porque há Amores assim... a preto-e-branco e maiores do que o tempo



Linus Larrabee: [slow dancing with Sabrina] How do you say in French my sister has a yellow pencil? 
Sabrina Fairchild: Ma soeur a un crayon jaune. 
Linus Larrabee: How do you say my brother has a lovely girl? 
Sabrina Fairchild: Mon frère a une gentille petite amie. 
Linus Larrabee: And how do you say I wish I were my brother?

13 de fevereiro de 2013

Retalhos da vida de uma grávida

Não gosto de ser apanhada na curva. Manias. Sempre - ou quase sempre - ando com qualquer coisa extra dentro da mala, "não vá o Diabo tecê-las". Ela é uma maçãzinha ou um iogurte líquido, "não vá ter fome". Ela é uma revistinha "para o caso de demorar mais no lugar XPTO". Ela era muda de roupa extra quando estava nos escuteiros, and so on...

E, desta vez, com a gravidez - e apesar deste meu cérebro andar a trabalhar ao relantim - não foi excepção. Há muito que mandei um mail para a maternidade para saber o que levar na mala, tanto para mim, como para o Henrique. Há muito que comecei a lavar as roupas dele e a planear que roupinhas levar e para que dias, etc.

Esta semana, deram-me uma informação extra. Que talvez, "pelo sim, pelo não", o melhor será levar toalhas de banho (para mim e para ele).

Resumindo, vou ter de mudar de mala... pela 3.ª vez... tal é a quantidade de coisinhas extra que vão pedindo  e que poderão vir a fazer falta. Já dei por mim a desejar ter uma conversinha com o meu filhotinho e combinarmos hora certa e dia para o nascimento, para uma pessoa saber com o que é que conta.

Não está fácil!

***

Hoje foi também dia de comprar mais umas coisinhas. É impressionante a quantidade de coisinhas necessárias para seres tão pequenos. Este filho ainda não nasceu, mas se eu lhe fosse apresentar a conta de tudo o que já gastámos por causa dele... um balúrdio, senhores, um balúrdio!!! (imagino os desgraçados dos casais que têm de comprar tudo; felizmente, temos muita coisa dada / emprestada).
 

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