18 de novembro de 2011

Conversinhas de casal - take (qualquer um elevado ao cubo)

Ontem à noite. Ele estava a sair de casa para beber café, eu estava a vegetar no sofá e começa a dar a publicidade de Natal do Continente, com a Popota.

NOTA: Estes diálogos não foram assim, ipsis verbis. Existem pequenas edições que em nada alteram o sentido do diálogo.

Eu - A Popota, este ano, parece menos badalhoca!
Ele - (simula um vómito e faz má cara)
Eu - A sério... parece!
Ele - (nova simulação de vómito). Achas mesmo?!
Eu - Sim. Parece uma Miss Piggy, mas em hipópotamo... são as duas divas e cor-de-rosa.
Ele - (continua a simular vómitos consecutivos)
Eu - Até está mais elegante e tudo...
Ele - Sim, sim... elegante é o que ela é mais.
Eu - Ohhh... não é elegante de mais magra. É elegante de melhor vestida. E já não anda a roçar-se nas câmaras de filmar.
Ele - (a sair, faz cara feia)
Eu - Isto vai para o blog.

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Esta manhã...

Ele - Hoje chego mais tarde. Vou pagar o carro e, depois, vou afogar-me em álcool.
Eu - Pagar o carro... afogar em álcool... registado.
Ele - E depois venho a empurrar o carro, aos pontapés.
Eu - Ou se quiseres, ligas-me e vou-te buscar.

15 de novembro de 2011

Sobre a televisão pública e outros afazeres

Caro Ministro Miguel Relvas,

'bora lá sentarmo-nos e conversarmos como pessoas civilizadas. Portugal ter um serviço de televisão pública é uma boa ideia. Isso é ponto assente, e julgo que o senhor que também vive neste País, vai concordar comigo.

Juntar RTP África e RTP Internacional é que não me parece nada bem. Nem acabar com a RTP Informação. Ou com a RTP Memória.

O senhor tem viajado ou visto a RTP1 ultimamente? Tem?! Não parece. O senhor já se apercebeu que nos programas de domingo à tarde, os apresentadores mandam sempre beijinhos para as pessoas que vêem televisão através da RTP Internacional?! Pois é... porque, curiosamente, há portugueses a viver lá fora e, parecendo que não, isto de haver uma emissão em português para eles fá-los sentirem-se "em casa". E só Deus sabe como é boa essa sensação...
E o mesmo se passa com os nossos companheiros em África. Gostam de saber que a RTP-mãe tem um filho que fala directamente para eles.

Quer mesmo falar da RTP Informação, senhor Ministro? Tem a certeza?! Eu vou-lhe contar um sonho que tinha com frequência quando era uma jovem estudante de comunicação social: queria trabalhar na informação da RTP. Porque acho que é a estação que tem a melhor "escola" possível nessa área. Porque os profissionais são de excelência. Porque tem um arquivo informativo de fazer inveja a muito bom patrão de estações privadas.

"Nos tempos da velha senhora" - quando vivia com os meus pais e tinha muitos canais de televisão, entenda-se - sabe quem é que me "safava" quando estava farta de fazer zapping? Era a RTP Memória, porque passava aquelas séries fabulosas de quando eu era mais "piquinina": via o McGyver, o Poirot, o "Crime disse Ela", and so on...

O problema, senhor Ministro, não é a RTP, nem as Antenas radiofónicas... o problema, senhor Ministro, são as pessoas que minam o serviço público de televisão e de rádio e que querem acabar, à bruta, com a pouca seriedade que ainda existe no universo RTP.

Os outros países - aqueles, os civilizados e que não têm problemas de liquidez financeira - também têm estações públicas de televisão e de rádio. Por exemplo, (e fica só mesmo um, senhão não páro de escrever...) em que outra estação, que não a Antena 1, eu saberia o significado de expressões como na rubrica "Lugares Comuns"?

Senhor Ministro, sente-se, beba mais um cházinho, acalme-se e organize as ideias; mais tarde, voltamos a conversar.

13 de novembro de 2011

Estrelices, afiliado WOOK

Declaro que a partir de hoje, tanto o "Um dia, uma Estrela disse...", como o "Capa Mole & Companhia" são os mais novos afiliados da livraria online, WOOK.PT.

Não estranhem portanto que, nas barras laterais ou nos links de posts mais literários, surja a referência à Wook que, gentilmente, deu a conhecer este Programa de Afiliados.

9 de novembro de 2011

E a burra sou eu?!

Hoje li uma notícia que me deixou simplesmente com os cabelos em pé. Uma criança de 5.º ano foi apanhada a cabular / copiar num teste, mas desenganem-se aqueles que pensam que se tratavam de cábulas "normais". Não, meus amigos, este pirralho de, sensivelmente, 10 anos estava a mandas sms À MÃE com as perguntas do teste e esta, por sua vez, enviava-lhe as respostas.

(ler notícia completa aqui - Público Online)

No momento, só me apeteceu levantar aos mãos ao céu e gritar "Estes romanos devem estar loucos!!!". Sou só eu que acho que os miúdos devem progredir por mérito próprio?! E, já agora, que raio de mãe é esta, senhores?!

No meu tempo (agora pareço uma idosa a falar...), a malta estudava. Fosse de véspera ou não. Pegava-se nos livros. Tudo bem que não existiam as facilidades tecnológicas de agora, mas se queríamos cabular, também se contornava esse obstáculo, e faziam-se copianços e cabulanços à grande.

Mas... contar com a cumplicidade da mãe?! Isso é que seria lindo de se ver!!! Só o lamentável pensamento dessa hipótese era motivo mais que suficiente para ficar de castigo até aos 30 anos.

Se existem problemas nas escolas com alunos, a culpa é dos paizinhos que alinham neste "passar a mãozinha" pela cabeça dos meninos que, "coitadinhos", são umas vítimas do sistema. A educação começa em casa... os professores existem para ensinar... cada macaco no seu galho.

2 de novembro de 2011

Tintim e o drama dos óculos 3D

Ir ao cinema aqui na zona é sempre uma aventura; ora porque há grupos de crianças-adolescentes mal-educados e faladores, ora porque há pipoqueiro, ora porque há jovens-adolescentes a queixarem-se que "os óculos 3D não funcionam!!!".

A ideia inicial era simples e agradável: ir à Beloura ver o Tintim. Chegámos, comparámos horários e optámos por ficar e ver o filme em 3D versão original.

O drama começou ainda antes dos trailers iniciais, naquela parte em que os senhores da Vodafone nos "dizem" que podemos pôr os óculos 3D.

- Ó mãe, os óculos não funcionam... - grita o jovem.

A mãe bichana qualquer coisa que não se entende.

O jovem levanta-se e vai trocar os óculos, com os funcionários. O jovem retorna à sala.

- Ó mãe, os óculos continuam a não funcionar... - grita de novo o jovem.

(do que é que ele estava à espera?! De ver qualquer coisa a saltar do ecrã)

A mãe volta a bichanar-lhe qualquer coisa que não se percebe, troca de óculos com o jovem. A mãe levanta-se e vai trocar os óculos lá fora com os funcionários do cinema. A mãe volta e antes de se sentar diz "Fica sossegado; estes são iguais!".

E o filme começa... a história é gira, está bem realizada, os movimentos dos actores foram brilhantemente capturados. Temos filme, senhores, temos filme!! Basicamente: temos o Tintim, um jovem jornalista conhecidíssimo, que compra um barco numa feira. Reconhece-o como sendo o Licorne. Durante a compra, um homem chega-se ao pé dele e avisa-o que "eles" são perigosos. Desaparece. Aproxima-se outro homem que tenta comprar-lhe o barco. Tintim recusa e vai para casa. Já em casa, o nosso pequenitates do Milou (aqui conhecido como Snowy) parte o barco e uma peça rola para baixo de um armário. Entretanto, o barco é roubado, a peça perdida é descoberta e tem um enigma, Tintim é raptado, conhece o Haddock e... THE END!!!

Não vou estragar as emoções de verem o filme, que vale a pena.

30 de outubro de 2011

A idade é um lugar estranho

Tomamos a nossa juventude, beleza e saúde como bens... garantias adquiridas... direitos inalienáveis.
Como se, um dia, pudéssemos chegar junto de uma entidade superior e dizer "A minha juventude "avariou". Tem aqui o talão da garantia!" e, como consequências, a levassem para a fábrica para substituir peças ou nos entregassem uma nova, porque a anterior não tinha arranjo possível.

É estranho e ao mesmo tempo engraçado pensar nisto quando se tem 28 anos, quando se tem, no mínimo, mais de outros tantos anos pela frente.

O envelhecer não me assusta. O que me mete medo é envelhecer com falta de saúde. Hoje, vi um senhor de bastante idade, meio curvado, que levava na mão um saquito de um conhecido supermercado, com meia dúzia de coisinhas.
Assusta-me pensar que um dia vou perder a minha força para transportar um saco de supermercado com vários litros de leite, vários quilogramas de fruta... tal como fiz ontem.

Agora, no auge da minha juventude, todos os dias há uma dor - de cabeça, de dente, de unha do pé... - mas nada apaga a imagem do senhor velhinho, curvado, com o pequeno saco de compras.

(esta madrugada a hora mudou; vai ser assim até meados de Março. A minha única consolação - com este horário de Inverno - é que a partir de Dezembro os dias têm tendência a crescer e quando dermos por eles estamos no Verão outra vez.)

28 de outubro de 2011

A maldade primitiva do Homem

Há uns anos, conheci o Duarte Lima. Era conferencista numa sessão sobre a leucemia, e a história dele comoveu-me.
Senti uma imensa simpatia e solidariedade pela provação que tinha passado, bem como pela coragem que demonstrava em falar abertamente sobre a doença que o tinha atingido.
Quando saí da conferência, era capaz de meter as mãos no fogo por aquele senhor tão simpático.

Mas... o tempo foi passando e vieram os escândalos sobre as trapaças do filho. E as suspeitas do enriquecimento do próprio Duarte Lima. E a minha simpatia foi diminuindo.

Entretanto, a notícia da morte da dona Rosalina, as suspeitas sobre o envolvimento de Duarte Lima, as contradições do senhor, a recusa em responder a perguntas da polícia brasileira (onde há fumo, há fogo!), o não saber que carro guiava no Brasil, nem que empresa lhe tinha prestado o serviço, mas mandar mails a pedir a factura... enfim, um sem número de indíces incriminatórios que me fizeram dizer "Adeus!" a qualquer réstia de qualquer coisa boa que pudesse sentir por ele.

Causa-me repugna que alguém mate outro alguém por causa de dinheiro. A ambição desmedida e a crueldade que daí poderá advir causa-me arrepios e faz-me ter consciência da maldade natural e primitiva do Homem.

26 de outubro de 2011

A moça que veio do frio

Gosto de dias chuvosos quando estou em casa, fechadinha e sem previsões de saída; quando sei que não me vou molhar, perder o guarda-chuva, estragar o guarda-chuva ou que me roubem o guarda-chuva, ou ser arrastada pela ventania.
Gosto de dias chuvosos quando tenho um filme ou um livro, uma mantinha nos pés e um chá.
Gosto de dias chuvosos quando não tenho de vir trabalhar e arriscar a ficar presa no trânsito, porque houve um idiota que pensa que as estradas molhadas são o circuito de Nascar, se põe a acelerar e provoca o caos.

Sou uma rapariga do frio. Porque posso vestir mais uma camisola, pôr uma cachecol e um casaco bem quente e posso sair à rua.

O dia de hoje aborrece-me. Queria que parasse de chover.

13 de outubro de 2011

E ao sétimo dia...

Não sou uma pessoa de funerais.

Na minha terrinha, existe a "tradição" - quase como se de um código de honra se tratasse - que, em caso de morte de alguém conhecido, vá ao funeral um da família para representar o núcleo.
Coisas de terras pequenas, onde toda a gente se conhece... portanto, já se sabe: quando alguém morre, há sempre centenas de pessoas que se deslocam à Igreja e ao Cemitério.

Que me lembre, só fui a 3 funerais na minha vida: ao da Vânia (a minha melhor amiga), ao do meu avô paterno e ao do Diogo (um miúdo que era do meu Agrupamento de Escuteiros). A ideia da morte... quero dizer... sempre tive consciência dela. Fosse com uma dor maior ou menor.

A 1.ª vez que me lembro de me terem dito "morreu!", foi quando morreu o pai da minha mãe. Não me custou. Parece estranho dizer isto, mas eu era muito nova e só tinha visto aquele avô duas vezes. Depois morreu o padrasto da minha mãe. Custou-me muito, porque esse era aquele que eu reconhecia como avô. Com o avô Zé... chorei, mas, passou.

A Vânia, quando eu tinha 16 anos, a Sónia e o Guilherme, no mesmo ano; o meu avô João aos 17 anos... o Diogo quando eu teria uns 25 anos.

Isto sem contar com aqueles tios velhinhos que, por força da idade, iam fechando os olhos.

Na semana passada, foi a minha tia Luísa... a tia a quem eu chamava avó, tal era o amor que lhe tinha. Não fui ao funeral, não porque não quisesse, mas porque (infelizmente) o meu pai está bastante debilitado fisicamente e tinha de ficar com ele. Hoje, quinta-feira, é a missa de 7.º dia e também não me recordo de alguma vez ter ido a uma. Certamente, estive na do meu avô João, mas... não me lembro.

Vou chorar, de certeza. Estes momentos... são como... prolongamentos da dor. E quem é que gosta de sofrer?! Mas eu vou. Estou em falta com a minha consciência e preciso de dizer a Deus que esta morte não é justa, que continuo zangada com Ele, mas que, apesar de tudo, Lhe quero pedir que olhe pela minha tia.

É hoje, que faço, a sério, o luto pela minha tia e levo a minha vida em frente.

10 de outubro de 2011

Tia Luísa e Steve Jobs - denominador comum: o cancro

No mesmo dia em que o Mundo lamentava o desaparecimento do guru das novas e mais avançadas tecnologias, Steve Jobs, eu desesperava com a morte da minha tia Maria Luísa.

Ainda me lembro - antes de saber da notícia do falecimento da minha tia - de ter comentado com a minha patroa que nem todo o dinheiro do Mundo consegue salvar alguém da garra do cancro.

A minha tia também morreu de cancro. No estômago. Detectado demasiado tarde, porque houve um médico incompetente a desvalorizar as queixas de uma senhora de 80 anos. O mesmo que aconteceu há mais de uma década quando outro médico incompetente também não deu valor às queixas do meu avô. Não tenho nada contra os médicos, só contra aqueles que são maus profissionais...

É muito triste ver partir entes amados. E ainda mais tristes quando sabemos que muito mais se poderia ter feito se alguém tivesse estudado a lição e visto que algo de errado existia.

Todos vocês que me lêem desse lado, certamente, já devem ter tido alguém que morreu de cancro e percebem a dor que é ver alguém de quem gostamos muito a definhar todos os dias.

A última vez que vi a minha tia, ela estava extremamente magra; mas, sinceramente, não é essa a imagem que guardo dela. Nestes últimos dias, sempre que me referia à minha tia, surgia-me na mente a figurinha roliça, pequenina que me tratava por "filha" e por "querida" e que gostava muito de me abraçar e dar beijinhos.

Adeus, tia, amo-te muito e só não me permito chorar mais por ti, porque sei que não me ias deixar.
 

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