Ontem, estive em Lisboa. Enquanto era conduzida ao destino marcado, ia olhando pela janela e só pensava no quão pequenina sou ao pé daquela 'selva' urbana. Há uns anos, escrevi neste mesmo blog que me sentia intimidada só pela probabilidade de um dia vir a trabalhar em Lisboa.
Não trabalho na nossa capital, mas aqueles prédios enormes continuam a meter-me num estado de claustrofobia tal que só me apetece sentar num cantinho e encolher-me de medo. Contudo, gosto de Lisboa. De saber que vou lá, mas que volto para um sítio mais baixinho, onde eu possa encarar um prédio de frente, sem me sentir esmagada.
Peço desculpa aos lisboetas de gema, às pessoas que gostam de Lisboa, às pessoas que defendem Lisboa, aos amantes de Lisboa, mas, simplesmente, não sou capaz. A coragem tem limites. E a minha tropeça ali.
9 de agosto de 2010
8 de agosto de 2010
Uma nova vaga de sonhos
Fomos ver o filme 'Inception'. Depois de termos lido maravilhas do mesmo e de termos ouvido o pior e de termos quase gritado "não contes o fim", rendemo-nos e dirigimo-nos ao Allegro em Alfragide para ver o filminho.
(antes de irmos para a sala, passámos pelo Starbucks e bebi um daqueles chá gelados absolutamente fabulosos... mas isso são outras núpcias)
O filme é, efectivamente, bom. A Ellen Page continua a ser a minha actriz fetiche, o Leo DiCaprio está um actorzão, o Cillian Murphy (que vi pela primeira vez no 'Breakfast on Pluto) faz um secundário brilhante... em resumo: não há uma má personagem. O sacaninha do Christopher Nolan é que me tramou com aquele final. Não se faz. Quero saber.
A premissa do filme é básica: um grupo de pessoa consegue criar diferente cenários e níveis de sonhos de modo a conseguir extrair informações/segredos/whatever aos pobres incautos e simples mortais. Neste caso, é feito um desafio: 'plantar' uma ideia, ao invés de a extrair. Impossível? Não, mas muito difícil.
Em mais de duas horas de filme, somos confrontados com dúvidas, emoções, diferentes níveis de realidade que saímos, juro, a olhar para o lado e a pensar "isto é a sério?!". É um filme algo denso, mas bom, muito bom.
7 de agosto de 2010
Um cheiro doce no ar
Nestes dias mais quentes, conduzo de janelas abertas. O vento de Sintra bate-me na cara e ajuda a abater o calor, às vezes, de 30 graus. O bom de Sintra é que o Verão não é quente-quente como na Leiria que conheço. Entendo agora os reis que, no Verão, trocavam Lisboa por Sintra... local onde se encontravam as residências estivais da realeza portuguesa.
Mas não é isso que me fez escrever. Todos os dias, com as minhas janelas do carro abertas, sinto um cheiro doce e quente no ar. Pensei que fosse impressão minha - afinal de contas o cheiro localiza-se na mesma zona do McDonald's e poderia, apenas e tão somente, ser uma partida da mente. Mas não.
O cheiro docinho, que me faz pensar em algodão doce, em gomas de morango e em todas aquelas memórias queridas de infância permanece, ali "paredes meias" com a IC19.
A razão é simples: a fábrica das pastilhas elásticas 'Gorila' fica nas proximidades. Depois de fazer parte da minha infância, a 'Gorila' é a amiga que todos os dias me cumprimenta, pela manhã.
31 de julho de 2010
Música para um bom fim de tarde
Já vi isto ao vivo e continua mimoso, tal como me lembro. Espero que gostem.
18 de julho de 2010
A palavra (ou a falta dela)
Num destes dias, disse que me começa a faltar vocabulário. Leio e releio livros, trabalhos jornalísticos, reportagens de várias temáticas, mas estou com o cérebro preguiçoso.
Recomendaram-me que volte a escrever. Mas... escrever como? Com que palavras? Aquelas que me faltam ou aquelas outras que não conheço?
Recomeço, portanto, com palavras de outra pessoa. Palavras sobre a palavra. E tem palavra... Madre Teresa de Calcutá:
Recomendaram-me que volte a escrever. Mas... escrever como? Com que palavras? Aquelas que me faltam ou aquelas outras que não conheço?
Recomeço, portanto, com palavras de outra pessoa. Palavras sobre a palavra. E tem palavra... Madre Teresa de Calcutá:
Todas as nossas palavras serão inúteis se não brotarem do fundo do coração. As palavras que não dão luz aumentam a escuridão
29 de junho de 2010
Sem título, porque não me apetece
Era tão mais fácil criticar a selecção, meter a cabeça do primeiro-ministro no cadafalso, falar nas facilidades ou dificuldades da nova vida longe do colo da mãe, apontar o dedo aos ministros que teimam em falar em aumentos e sacrifícios ou colocar o vídeo de uma musiquinha boa...
Mas não...
Tenho a 'loja' da imaginação de férias. Não me sinto capaz de escrever um texto embonecado. Fica para a próxima, sim?
Mas não...
Tenho a 'loja' da imaginação de férias. Não me sinto capaz de escrever um texto embonecado. Fica para a próxima, sim?
24 de junho de 2010
20 de junho de 2010
18 de junho de 2010
José Saramago
A si, Saramago:
Comecei com 'Ensaio sobre a Lucidez', passei para 'As intermitências da Morte' e 'O Ano da morte de Ricardo Reis'. Vi o 'Ensaio sobre a Cegueira' e 'A Jangada de Pedra'. Durante muitos anos, o senhor parte da minha vida e hoje deixou este Mundo. Obrigada por tudo - já que muitos outros, com mais poder, não lhe agradeceram.
Obrigada!
Comecei com 'Ensaio sobre a Lucidez', passei para 'As intermitências da Morte' e 'O Ano da morte de Ricardo Reis'. Vi o 'Ensaio sobre a Cegueira' e 'A Jangada de Pedra'. Durante muitos anos, o senhor parte da minha vida e hoje deixou este Mundo. Obrigada por tudo - já que muitos outros, com mais poder, não lhe agradeceram.
Obrigada!
13 de junho de 2010
Momentos e movimentos
Tenho-me desleixado um pouco dos agradecimentos aos vossos comentários; prometo que vou tentar fazê-lo com maior frequência.
Este fim-de-semana fui visitar a família. Depois de duas semanas a ouvi-los perguntar "quando vens a casa?", achei que devia ir dar-lhes um beijinho. O estranho foi entrar no meu quarto e vê-lo semi-despido, porque muitos dos meus pertences já estão cá. Os pequenos objectos mantém-se nos sítios onde os deixei.
Mamãe estava com saudades da filhota. A filhotinha mais velha que sempre se habituou a ver e a sentir entre as paredes da moradia. A filhotinha que escolheu o seu próprio quarto aquando da primeira mudança de residência já lá vão mais de duas décadas. A filhotinha que voltou durante 48 horas e que era necessário encher de mimos suficientes para mais umas semanas.
De resto, tudo igual. Excepto eu. Começo a aperceber-me que gosto desta maior liberdadezinha de movimentos que tenho desde que me mudei.
Este fim-de-semana fui visitar a família. Depois de duas semanas a ouvi-los perguntar "quando vens a casa?", achei que devia ir dar-lhes um beijinho. O estranho foi entrar no meu quarto e vê-lo semi-despido, porque muitos dos meus pertences já estão cá. Os pequenos objectos mantém-se nos sítios onde os deixei.
Mamãe estava com saudades da filhota. A filhotinha mais velha que sempre se habituou a ver e a sentir entre as paredes da moradia. A filhotinha que escolheu o seu próprio quarto aquando da primeira mudança de residência já lá vão mais de duas décadas. A filhotinha que voltou durante 48 horas e que era necessário encher de mimos suficientes para mais umas semanas.
De resto, tudo igual. Excepto eu. Começo a aperceber-me que gosto desta maior liberdadezinha de movimentos que tenho desde que me mudei.

