20 de junho de 2010
18 de junho de 2010
José Saramago
A si, Saramago:
Comecei com 'Ensaio sobre a Lucidez', passei para 'As intermitências da Morte' e 'O Ano da morte de Ricardo Reis'. Vi o 'Ensaio sobre a Cegueira' e 'A Jangada de Pedra'. Durante muitos anos, o senhor parte da minha vida e hoje deixou este Mundo. Obrigada por tudo - já que muitos outros, com mais poder, não lhe agradeceram.
Obrigada!
Comecei com 'Ensaio sobre a Lucidez', passei para 'As intermitências da Morte' e 'O Ano da morte de Ricardo Reis'. Vi o 'Ensaio sobre a Cegueira' e 'A Jangada de Pedra'. Durante muitos anos, o senhor parte da minha vida e hoje deixou este Mundo. Obrigada por tudo - já que muitos outros, com mais poder, não lhe agradeceram.
Obrigada!
13 de junho de 2010
Momentos e movimentos
Tenho-me desleixado um pouco dos agradecimentos aos vossos comentários; prometo que vou tentar fazê-lo com maior frequência.
Este fim-de-semana fui visitar a família. Depois de duas semanas a ouvi-los perguntar "quando vens a casa?", achei que devia ir dar-lhes um beijinho. O estranho foi entrar no meu quarto e vê-lo semi-despido, porque muitos dos meus pertences já estão cá. Os pequenos objectos mantém-se nos sítios onde os deixei.
Mamãe estava com saudades da filhota. A filhotinha mais velha que sempre se habituou a ver e a sentir entre as paredes da moradia. A filhotinha que escolheu o seu próprio quarto aquando da primeira mudança de residência já lá vão mais de duas décadas. A filhotinha que voltou durante 48 horas e que era necessário encher de mimos suficientes para mais umas semanas.
De resto, tudo igual. Excepto eu. Começo a aperceber-me que gosto desta maior liberdadezinha de movimentos que tenho desde que me mudei.
Este fim-de-semana fui visitar a família. Depois de duas semanas a ouvi-los perguntar "quando vens a casa?", achei que devia ir dar-lhes um beijinho. O estranho foi entrar no meu quarto e vê-lo semi-despido, porque muitos dos meus pertences já estão cá. Os pequenos objectos mantém-se nos sítios onde os deixei.
Mamãe estava com saudades da filhota. A filhotinha mais velha que sempre se habituou a ver e a sentir entre as paredes da moradia. A filhotinha que escolheu o seu próprio quarto aquando da primeira mudança de residência já lá vão mais de duas décadas. A filhotinha que voltou durante 48 horas e que era necessário encher de mimos suficientes para mais umas semanas.
De resto, tudo igual. Excepto eu. Começo a aperceber-me que gosto desta maior liberdadezinha de movimentos que tenho desde que me mudei.
7 de junho de 2010
Pedra sobre pedra
Começo (lentamente) a aperceber-me que tudo aquilo que conhecia está a alguns quilómetros de distância e que agora é tempo para criar novas rotinas, conhecer outras pessoas - se bem que aquelas que preenchiam a minha vida vão estar sempre presentes ainda que só as veja de quando em quando - e dar valor às coisinhas que anteriormente me irritavam.
Todos os dias me perguntam "Quando vens a casa?". Respondo "assim que puder", contudo deito-me quase todos os dias a pensar "esta agora é a minha casa".
No trabalho, as coisas estão a correr bem. Apanhei uma altura complicadota, mas penso que estou a engrenar rapidamente no sistema. Mas todos os dias sinto falta do sacana do burburinho da (minha) redacção. Por isso, tento compensar essa "falta" com tudo o resto: com maior concentração naquilo que faço, com a procura de outros interesses e com a presença em várias actividades. No sábado, à noite, "mergulhei" na História (adaptada) das fontes de Sintra. Uma companhia de teatro local andou pela vila a contar pequenas histórias sobre a presença dos mouros em Portugal. Ri-me muito. Substituí as lágrimas por gargalhadas e diverti-me imenso.
É aqui, em Sintra, que estou a encontrar ferramentas para construir mais um pedaço do meu caminho na Vida.
Todos os dias me perguntam "Quando vens a casa?". Respondo "assim que puder", contudo deito-me quase todos os dias a pensar "esta agora é a minha casa".
No trabalho, as coisas estão a correr bem. Apanhei uma altura complicadota, mas penso que estou a engrenar rapidamente no sistema. Mas todos os dias sinto falta do sacana do burburinho da (minha) redacção. Por isso, tento compensar essa "falta" com tudo o resto: com maior concentração naquilo que faço, com a procura de outros interesses e com a presença em várias actividades. No sábado, à noite, "mergulhei" na História (adaptada) das fontes de Sintra. Uma companhia de teatro local andou pela vila a contar pequenas histórias sobre a presença dos mouros em Portugal. Ri-me muito. Substituí as lágrimas por gargalhadas e diverti-me imenso.
É aqui, em Sintra, que estou a encontrar ferramentas para construir mais um pedaço do meu caminho na Vida.
5 de junho de 2010
Emoção vs razão
Simultaneamente ao facto de ter deixado o ninho da mamã e ter começado uma nova etapa da minha vida, surgem as inevitáveis dores de barriga por ter cortado o cordão umbilical.
Talvez devesse tê-lo feito mais cedo para não 'sofrer' agora as consequências de um afastamento, obviamente, tardio. Talvez o tenha feito na altura certa. Não sei. O que dizer? As vozes murchas das pessoas que amo deixam-me confusa, apesar de me darem a maior das forças para organizar a minha vida.
Sinto-me agora como... quando tinha 6 anos e me caiu o 1.º dente: doeu um bocado, chorei, mas tinha a certeza que (logo, logo) outro dente surgiria e a dor passava. Só tinha que ter alguma paciência. Dá para entender?
A compensar, a estar ali a amparar-me, a limpar-me as lágrimas teimosas está ele. E isso faz-me ter a certeza que, no meio de tanta confusão emocional, algo corre bem e que a decisão tomada foi a mais certa.
Talvez devesse tê-lo feito mais cedo para não 'sofrer' agora as consequências de um afastamento, obviamente, tardio. Talvez o tenha feito na altura certa. Não sei. O que dizer? As vozes murchas das pessoas que amo deixam-me confusa, apesar de me darem a maior das forças para organizar a minha vida.
Sinto-me agora como... quando tinha 6 anos e me caiu o 1.º dente: doeu um bocado, chorei, mas tinha a certeza que (logo, logo) outro dente surgiria e a dor passava. Só tinha que ter alguma paciência. Dá para entender?
A compensar, a estar ali a amparar-me, a limpar-me as lágrimas teimosas está ele. E isso faz-me ter a certeza que, no meio de tanta confusão emocional, algo corre bem e que a decisão tomada foi a mais certa.
31 de maio de 2010
Descubra as diferenças...
Foi a pensar no jogo "Descubra as diferenças" que acordei esta manhã. Cama diferente, casa diferente, não reconheci o WC e a cozinha logo imediatamente. O silêncio instalado debaixo daquele que é, agora, o meu novo tecto, era, substancialmente, do ruído que se ouvia na rua e nos apartamentos dos lados. E de cima. E de baixo. Sempre vivi numa moradia... o que querem? Milagres no primeiro dia?
Para rematar a conversa, vou ali lavar uma loicinha do jantar de ontem e já volto.
Para rematar a conversa, vou ali lavar uma loicinha do jantar de ontem e já volto.
28 de maio de 2010
Dicionário de Português-Português
chorar
v. intr.
1. Ter choro.
2. Verter lágrimas.
3. Fluir humor a.
4. Lançar vapor aquoso (ex.: a vide quando deitada no lume).
v. tr.
5. Lamentar.
6. Afligir-se muito.
7. Destilar.
v. pron.
8. Queixar-se, lastimar-se chorando.
Pensava que despedir-me do meu local de trabalho ia ser complicado. Nunca imaginei que deixar o lar familiar fosse tão difícil. Olhar para os olhos da minha mãe e ver uma tristeza profunda onde antes existia carinho e amor; olhar para o meu irmão e não conter as lágrimas... corta-me o coração em pedacinhos.
Mas a mudança tem de ser feita. Agora só tenho de arranjar uma rotina ligeira para me tentar alhear das saudades que me apertam o peito.
v. intr.
1. Ter choro.
2. Verter lágrimas.
3. Fluir humor a.
4. Lançar vapor aquoso (ex.: a vide quando deitada no lume).
v. tr.
5. Lamentar.
6. Afligir-se muito.
7. Destilar.
v. pron.
8. Queixar-se, lastimar-se chorando.
Pensava que despedir-me do meu local de trabalho ia ser complicado. Nunca imaginei que deixar o lar familiar fosse tão difícil. Olhar para os olhos da minha mãe e ver uma tristeza profunda onde antes existia carinho e amor; olhar para o meu irmão e não conter as lágrimas... corta-me o coração em pedacinhos.
Mas a mudança tem de ser feita. Agora só tenho de arranjar uma rotina ligeira para me tentar alhear das saudades que me apertam o peito.
21 de maio de 2010
Choro II
Praticamente, já acabou a parte em que tinha de me despedir dos meus colegas. Outra semana igual a esta e teria de pedir à Luso para assinar um protocolo de cooperação e hidratação, tal não foi a quantidade de água que perdi com as choradeiras quase diárias.
As pessoas gostam de mim e querem o melhor para mim, são fofas comigo e desejam-me "tudo de bom" a cada segundo, dizem que sou "luminosa" e que o meu sorriso preenche uma sala. E eu choro. A minha voz enrola-se. Tento engolir em seco, mas não consigo.
Para a semana há um novo passo a dar. Para a semana, pego nos meus 'tarecos' - que não são assim tantos quanto isso, posso garantir - e embarco numa nova aventura. Mas antes disso, em princípio, vai haver jantar de despedida. E eu vou chorar de certeza. Com a chuva, nem se vai notar...
As pessoas gostam de mim e querem o melhor para mim, são fofas comigo e desejam-me "tudo de bom" a cada segundo, dizem que sou "luminosa" e que o meu sorriso preenche uma sala. E eu choro. A minha voz enrola-se. Tento engolir em seco, mas não consigo.
Para a semana há um novo passo a dar. Para a semana, pego nos meus 'tarecos' - que não são assim tantos quanto isso, posso garantir - e embarco numa nova aventura. Mas antes disso, em princípio, vai haver jantar de despedida. E eu vou chorar de certeza. Com a chuva, nem se vai notar...
20 de maio de 2010
Choro
Sou uma choramingas, confesso. Mas, nos últimos dias, tem sido demais. Basta apenas dizer a palavra "adeus" e desabo numa choradeira. Reforcei o meu stock de lenços de papel, mas nem mesmo assim as coisas ficam mais fáceis.
Para a semana, não vou entrar na redacção onde, de há 2 anos a esta parte, entrava praticamente todos os dias. Começo a ficar com o estômago pequenino e sinto as lágrimas a brotar, porque, afinal de contas, este Diário de Leiria fez parte da minha vida. Continuo a manter um discurso no plural, mas sei que isto tem de acabar.
As portas do DL Times, essas, ficaram abertas para mim.
Para a semana, não vou entrar na redacção onde, de há 2 anos a esta parte, entrava praticamente todos os dias. Começo a ficar com o estômago pequenino e sinto as lágrimas a brotar, porque, afinal de contas, este Diário de Leiria fez parte da minha vida. Continuo a manter um discurso no plural, mas sei que isto tem de acabar.
As portas do DL Times, essas, ficaram abertas para mim.
18 de maio de 2010
Anúncio oficial
Este post é um anúncio oficial do que se vai passar na minha vida. Se há dois anos, celebrei entre amigos feitos na blogosfera que ia realizar um sonho e "virar" jornalista, hoje comunico que vou deixar de o ser.
Quem me conhece, sabe que adoro ser jornalista, adoro a adrenalina que daí advém, adoro sentir que, de alguma forma, tenho algo a dizer a quem me lê, adoro ser respeitada pelo trabalho que desenvolvo, adoro estar envolvida num projecto que me dá tanto conhecimento e experiências indescritíveis.
Mas, nem sempre, a vida nos dá todas as ferramentas necessárias para sermos, efectivamente, felizes no caminho que nos dá mais... felicidade. Vou sair do Diário de Leiria. Vou viver e trabalhar para o concelho de Sintra. Não vou ser jornalista, mas vou trabalhar com eles. É um estar nos bastidores. Vou deixar de escrever, diariamente, textos, que iriam ser lidos por centenas de pessoas. Vou tentar ser feliz, num outro caminho. Um caminho que decidi escolher.
Quem me conhece, sabe que adoro ser jornalista, adoro a adrenalina que daí advém, adoro sentir que, de alguma forma, tenho algo a dizer a quem me lê, adoro ser respeitada pelo trabalho que desenvolvo, adoro estar envolvida num projecto que me dá tanto conhecimento e experiências indescritíveis.
Mas, nem sempre, a vida nos dá todas as ferramentas necessárias para sermos, efectivamente, felizes no caminho que nos dá mais... felicidade. Vou sair do Diário de Leiria. Vou viver e trabalhar para o concelho de Sintra. Não vou ser jornalista, mas vou trabalhar com eles. É um estar nos bastidores. Vou deixar de escrever, diariamente, textos, que iriam ser lidos por centenas de pessoas. Vou tentar ser feliz, num outro caminho. Um caminho que decidi escolher.