Estamos em obras cá em casa. E, no meio da confusão, fui encontrar um saquinho onde estavam alguns daqueles bilhetinhos, recadinhos, papelinhos que se escreviam durante as aulas, naqueles tempos em que o telemóvel era algo irreal. Alguns de colegas de turma a perguntar a que horas tocava e outras banalidades.
Isto fez-me recuar aos tempos em que ainda se pedia as pessoas em namoro, em que se escreviam cartas a declarar amor eterno ou simples bilhetinhos com corações. Fez-me recuar ao tempo em que a felicidade estava ao alcance de uma ponta de um caderno com um simples "Gosto de ti".
As saudades que tenho de um bilhete de amor. As saudades que tenho de conseguir eternizar num saquinho uma ponta de folha quadriculada, rascunhada às escondidas, e que encerrava - em apenas três palavras - um sentimento que se julgava ser maior do que a distância que separava o Sol da Terra.
Sou uma romântica, por definição. Uma idealista que guarda papéis, dentro de sacos, dentro de gavetas, durante 15 anos.